O blog Espaço Livre foi criado com o propósito de compartilhar textos que venham acrescentar algo à vida das pessoas. Alguns escritos por mim, outros copiados, mas sempre identificando a fonte e os autores. Se alguma vez deixar de faze-lo, ou se algum autor se sentir prejudicado, peço que se manifeste para que possa fazer o devido reparo. Meu único propósito é partilhar conhecimento com os irmãos.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Inversão de valores
Como bem disse a professora e doutora em ciências sociais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Petilda Serva Vazquez, a exposição em realitys shows representa uma exploração dos participantes. “Esse tipo de programação televisiva banaliza o assédio moral e a degradação dos participantes”. Diz Petilda que esclarece: “a mulher, nesse tipo de exposição midiática, é a isca preferida. Lá é o território onde paira a imbecilidade e degradação dos seres humanos. A mulher é desvalorizada enquanto ser humano”.
Tudo bem, se as pessoas querem assistir, dar ibope e rechear a conta bancária da Globo, que o faça. Mas, a chamada grande imprensa entrar nessa de divulgar as opiniões a favor e contra de colegas da PM, do próprio povo, artistas famosos e outras pessoas formadoras de opinião, é um pouco demais. Será que não é muito mais proveitoso ocupar estes espaços falando de temas educativos, mostrando, por exemplo, a necessidade de se manter a batalha para exterminar o mosquito transmissor da dengue? Mostrando aos jovens que a leitura é importante para o seu desenvolvimento, crescimento, que eles precisam se profissionalizar, se qualificar para entrar no mercado de trabalho e poder ter um salário digno?
Existe um adágio popular que diz: “Dinheiro fácil vai fácil”. Portanto, vamos mostrar aos nossos jovens e crianças que ganhar a Mega Sena ou o premio do Big Broder, não deve ser a meta para se dar bem na vida. Que viver bem é muito mais do que aparecer na televisão e ter uma alta conta bancária.
Vamos mostrar para os nossos jovens e crianças a necessidade de se preservar a natureza, de cuidar do meio ambiente, de acabar com o desperdício e dar mais valor as coisas que realmente são importantes como a saúde, a educação, a solidariedade, o amor ao próximo e o respeito, especialmente aos mais velhos. Do contrário vamos ver, num futuro bem próximo, nossos filhos e netos nas esquinas disputando um copo d’água a tapa ou à bala.
Itajaí em dose dupla
No domingo (17) liguei o rádio para ouvir o jogo do Fluminense X Bahia de Feira, sintonizei na rádio Sociedade e lá estava o decano Itajaí Pedra Branca narrando o jogo. Mudei para a Subaé e para minha surpresa lá estava Itajaí Pedra Branca, o Junior, narrando o mesmo jogo. Confesso que me emocionei e senti orgulho de ouvir aquele jovem seguindo os mesmos caminhos do pai e fazendo um trabalho com a mesma competência daquele que tem na bagagem a experiência de longos anos de profissão. Acho que o que senti foi a mesma emoção e o mesmo orgulho que sinto quando alguém elogia um texto de minha filha Lia Sérgia que, segundo alguns, como o colega Anchieta Neri, escreve melhor do que o pai (Cristóvam Aguiar) e a mãe juntos.
Num campo onde a concorrência é imensa, onde muitos tentam puxar o tapete do outro para ocupar o lugar, pai e filho disputando audiência em duas emissoras diferentes, fazendo o mesmo trabalho. Itajaí, o pai, cheio de experiência e Itajaí Junior cheio de garra, fizeram um belo espetáculo. Parabéns aos dois. Vida longa e sucesso sempre!
terça-feira, 10 de março de 2009
“A hipocrisia do Dia Internacional da Mulher”
Quando Cristóvam me pediu para pesquisar sobre o dia internacional da mulher, comemorado no dia 8 de março, me deparei com inúmeros textos, mensagens, poemas, alusivos a data. Dentre os textos tinha um intitulado “A hipocrisia do Dia Internacional da Mulher”, no qual o autor fala que os idealizadores da data certamente tiveram as melhores intenções ao adotar o dia 8 de março de 1857 como um marco. Mas, o que não pode deixar de ser comentado, é o que aconteceu desde então com esta “boa intenção”.
Durante todo o dia 08 de março, ou nos dias da semana que o antecedem, muitas rádios tocam músicas alusivas à mulher; jornais, blogs e sites publicam textos emocionados sobre a força e a beleza da mulher; peças publicitárias falam da data, parabenizando as mulheres heroínas; Algumas felizardas encontrarão flores em suas mesas de trabalho e outras, com certeza, receberão mensagens daqueles serviços horríveis de telemensagem.
Não há nada de errado nisso. É muito bom recebermos presentes, homenagens e toda demonstração de carinho dos homens numa data tão importante. Mas, se este homem é um patrão que parabeniza sua funcionária pelo dia dela e depois oferece aquela promoção ao funcionário menos capacitado, que o acompanha naquela cervejinha depois do expediente, ele é um hipócrita! Se este homem parabeniza sua esposa pelo dia dela, mas chega em casa e se esparrama no sofá enquanto ela cumpre sua jornada tripla de trabalho, ele é um hipócrita! Se cumprimenta todas as suas amigas, mas passa o restante do ano tendo o mesmo comportamento machista de sempre, ele é um hipócrita! O homem que não se posiciona de verdade, com sinceridade e desprendimento, frente a questões importantes da feminilidade e da relação entre os sexos deveria ter ao menos a dignidade de não ficar repetindo o clichê de “parabéns pelo seu dia”.
O Dia Internacional da Mulher deve ser mesmo para refletirmos sobre as conquistas da mulher, e para reivindicar nossos direitos, lutar por maiores conquistas! Porém, por incrível que pareça, não o é! Essa data comemorativa não é hipócrita só porque os homens agem assim. Ela é hipócrita em si, assim como todas as datas do gênero. Se não houver uma reflexão crítica a respeito do significado de cada ato, mesmo o mais bem intencionado militante passa a ser apenas engrenagem que ajuda a mover o próprio sistema que combate. As mais justas reivindicações são absorvidas pela ordem social vigente, e nada muda. O problema é que datas assim limitam essa reflexão. Com raríssimas exceções, a reflexão que poderia levar à mudança fica restrita a um dia pré-determinado. Todas as reivindicações são feitas com maior intensidade na data estipulada, existem os discursos e discussões, mas no dia 9 de março as mulheres continuam sujeitas a jornadas triplas de trabalho; continuam trabalhando 50% mais que homens, na mesma função, para ganhar 50% menos; continuam objeto de valores ditatoriais (da beleza, por exemplo); continuam vítimas de violência, sofrendo todo tipo de intimidação.
Sinceramente, o dia internacional da mulher, tal qual é hoje, é irrelevante e desnecessário. As necessidades das mulheres, de igualdade e dignidade, além das econômicas, são muito maiores do que uma data pode comportar, e de nada adianta discutirmos isso no dia 8 de março e ficarmos anestesiados até o próximo ano. Para mudar isso precisamos de menos simbolismo e mais ação.