sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Doença


 Qualquer equipamento de uso, sofre os efeitos do tempo, o desgaste dos serviços, os desajustamentos, caminhando para a superação, o abandono…
O que hoje é de relevante importância, amanhã encontra-se ultrapassado e, assim, sucessivamente.

O corpo humano, da mesma forma, não pode permanecer indene às injunções naturais da sua aplicação e das finalidades a que se destina.
Elaborado pelos atos pretéritos é resistente ou frágil, conforme o material com que foi constituído em razão dos valores pertinentes a cada ser.
Muito justo, portanto, que enferme, se estropie, se desgaste e morra.
Transitório, em razão da própria junção, é, todavia, abençoado instrumento do progresso para o Espírito na sua marcha ascensional.
*
Chamado à reflexão, por esta ou aquela enfermidade, mantém-te sereno.
Vitimado por uma ou outra mutilação, aprofunda o exame dos teus valores íntimos e busca retirar da experiência as vantagens indispensáveis.
Surpreendido pelos distúrbios da roupagem física ou da tecelagem no sistema eletrônico do psiquismo, tenta controlá-los e, mesmo lutando pela recuperação, mantém-te confiante.
*
Não te deixes sucumbir sob as injunções das doenças.
Através da mente sã reconquistarás o equilíbrio da situação. E se fores atingido na área da razão, desde hoje entrega-te a Deus e confia n’Ele.
A doença faz parte do processo normal da vida como parcela integrante do fenômeno da saúde.

FRANCO, Divaldo Pereira. Episódios Diários. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 21

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Uma Importante Lição

Numa época em que um sorvete custava muito menos do que hoje, um menino de dez anos entrou numa lanchonete e se sentou a uma mesa.

Uma garçonete colocou um copo d'água na frente dele.

Quanto custa um sundae? Ele perguntou.

Cincoenta centavos, respondeu a garçonete.

O menino puxou as moedas do bolso e começou a contá-las.

Bem, quanto custa o sorvete simples? Perguntou outra vez.

A essa altura, mais pessoas estavam esperando por uma mesa. A garçonete foi se irritando. De maneira brusca, respondeu: Trinta e cinco centavos.

O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse: Eu vou querer, então, o sorvete simples.

Depressa, a moça trouxe o sorvete simples e a conta, colocou na mesa e saiu. O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu.

Quando a garçonete voltou e começou a limpar a mesa, não pôde deixar de chorar. Ali, do lado do prato, havia duas moedas de cinco centavos e cinco moedas de um centavo. Ou seja, o menino não pôde pedir o sundae porque ele queria que sobrasse a gorjeta da garçonete.

* * *

Ser grato aos que nos servem é um dever tanto quanto servir com alegria.

Quem serve, deve mostrar gratidão pela oportunidade do trabalho. Quem é servido deve demonstrar gratidão pelo serviço do outro, de que necessita.

Afinal, todos somos, na Terra, dependentes uns dos outros. (*)

Já imaginou em que se transformaria o panorama do mundo sem a contribuição de faxineiros, pedreiros, carpinteiros, jardineiros?

O que seria do hospital, com médicos, enfermeiras e gente especializada nos laboratórios, se faltasse a faxina para garantir a limpeza?

Como poderia garantir a qualidade dos seus pães e doces, o padeiro, sem o concurso do produtor que lhe entregasse a farinha de boa qualidade?

De que valeria o trabalho muito bem pensado e estruturado de engenheiros e arquitetos, se faltasse a preciosa mão de obra de serventes e carpinteiros?

Em todo lugar, sempre, dependemos uns dos outros. O que abre a loja e expõe a mercadoria, necessita do cliente que observe, goste e compre.

Clientes e vendedores, patrões e empregados, superiores e subordinados, necessitamos e muito uns dos outros. Não podemos sobreviver, muito menos viver uns sem os outros.

Por isso, a melhor técnica é nos unir, dar as mãos, valorizarmo-nos uns aos outros e sermos gratos pela oportunidade de servir e receber serviços.

* * *

O comércio é também uma escola de fraternidade. Realmente, precisamos da atenção do vendedor, mas o vendedor espera de nós a mesma atitude.

Sempre que nos sintamos no direito de reclamar, não façamos do nosso verbo um instrumento de agressão.

Por vezes, a pessoa mal-humorada, em seus contatos públicos, carrega um pesado fardo de inquietação e doença.

Acostumemo-nos a pedir por favor aos que trabalham em repartições, armazéns, lojas, lanchonetes e hotéis.

Antes de serem empregados à disposição de clientes, são seres humanos que sentem alegria, dor, têm seus problemas e esperam compreensão dos demais seres humanos.

Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada e no cap. 11 do livro Sinal verde, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Cec.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Kiss - Dublado e Legendado


Analisem esse video pela ótica espírita do amor, não importando se o clipe fala de um amor entre homem e mulher e nem para uma possivel inverossimilhança, mas atentem para a mensagem maior de amor ao proximo e respondam:

O verdadeiro amor é assim?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Estou de passagem.

Esse mundo não é meu,
não é nosso, não é seu...
Quanto a mim?
estou de passagem!
Não guardo rancores, mágoas,
amores, dou um fim às minhas dores...
Procuro sempre me lembrar que:
Estou de passagem por esse lugar...
Nada posso guardar, pois,
bagagem não poderei levar...
Cheguei sòzinha,
assim também partirei...
De onde vim trago relapsos,
de lembranças que desde criança,
estão comigo...
Pra onde vou?
Só tenho esperança,
na fé que possuo, que me faz sentir,
que é um lugar seguro,
onde finalmente me sentirei em casa...

(Valquíria Cordeiro)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Razão da Dor

Raquel, antiga servidora da residência de Cusa, ergueu a voz para indagar do Mestre por que motivo a dor se convertia em aflição nos caminhos do mundo.
Não era o homem criação de Deus? Não dispõe a criatura do abençoado concurso dos anjos? Não vela o Céu sobre os destinos da Humanidade? Jesus fitou na interlocutora o olhar firme e considerou: — A razão da dor humana procede da proteção divina.
Os povos são famílias de Deus que, à maneira de grandes rebanhos, são chamados ao Aprisco do Alto.
A Terra é o caminho.
A luta que ensina e edifica é a marcha.
O sofrimento é sempre o aguilhão que desperta as ovelhas distraídas à margem da senda verdadeira.
Alguns instantes se escoaram mudos e o Mestre voltou a ponderar: — O excesso de poder favorece o abuso, a demasia de conforto, não raro, traz o relaxamento, e o pão que se amontoa, de sobra, costuma servir de pasto aos vermes que se alegram no mofo…
Reparando, porém, que a assembléia de amigos lhe reclamava explicação mais ampla, elucidou fraternalmente:
- Um anjo, por ordem do Eterno Pai, tomou à própria conta um homem comum, desde o nascimento.
Ensinou-lhe a alimentar-se, a mover os membros e os músculos, a sorrir, a repousar e a asilar-se nos braços maternos.
Sem afastar-se do protegido, dia e noite, deu-lhe as primeiras lições da palavra e, em seguida, orientou-lhe os impulsos novos, favorecendo-lhe o ensejo de aprender a raciocinar, a ler, a escrever e a contar.
Afastava-o, hora a hora, de influências perniciosas ou mortíferas de Espíritos infelizes que o arrebatariam, por certo para o sorvedouro da morte.
Soprando-lhe ao pensamento idéias iluminadas aos clarões do Infinito Bem, através de mil modos de socorro imperceptível, garantiu-lhe a saúde e o equilíbrio do corpo.
Dava-lhe medicamentos invisíveis, por intermédio do ar e da água, da vestimenta e das plantas.
Vezes sem conta, salvou-o do erro, do crime e dos males sem remédio que atormentam os pecadores.
Ao amanhecer, o Pajem Celestial acorria, atento, preparando-lhe dia calmo e proveitoso, defendendo-lhe a respiração, a alimentação e o pensamento, vigiando-lhe os passos, com amor, para melhor preservar-lhe os dons; ao anoitecer, postava-se-lhe à cabeceira, amparando- lhe o corpo contra o ataque de gênios infernais, aguardando-o, com maternal cuidado, para as doces instruções espirituais nos momentos de sono.
No transcurso da vida, guiou-lhe os ideais, auxiliou-o a selecionar as emoções e a situar-se em trabalho digno e respeitável; clareou- lhe o cérebro jovem, insuflou-lhe entusiasmo santo, rumo à vida superior, e estimulou-o a formar um reino de santificação e serviço, progresso e aperfeiçoamento, num lar…
O homem, todavia, que nunca se lembrara de agradecer as bênçãos que o cercavam, fez-se orgulhoso e cruel, diante dos interesses alheios.
Ele, que retinha tamanhas graças do Céu, jamais se animou a estendê-las na Terra e passou simplesmente a humilhar os outros com a glória de que fora revestido por seu devotado e invisível benfeitor.
Quando experimentou o primeiro desgosto, que ele mesmo provocou menosprezando a lei do amor universal, que determina a fraternidade e o respeito aos semelhantes, gesticulou, revoltado, contra o Céu, acusando o Supremo Senhor de injusto e indiferente.
Aflito, o anjo guardião procurava levantar-lhe o ideal de bondade, quando um Anjo Maior se aproximou dele e ordenou que o primeiro dissabor do tutelado endurecido por excesso de regalias se convertesse em aflição.
Rolando, mentalmente, de aflição em aflição, o homem começou a recolher os valores da paciência, da humildade, do amor e da paz com todos, fazendo-se, então, precioso colaborador do Pai, na Criação.
Finda a historieta, esperou Jesus que Raquel expusesse alguma dúvida, mas emudecendo a servidora, dominada pela meditação que os ensinamentos da noite lhe sugeriam, o culto da Boa Nova foi encerrado com ardente oração de júbilo indefinível.

http://blog.forumespirita.net 

terça-feira, 31 de julho de 2012

A DIETA QUE FUNCIONA


Luís Fernando Veríssimo

Cada semana, uma novidade. A última foi que pizza previne câncer do esôfago. Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí, não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos ! Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias !

Brigar, me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago !

Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano...

E telejornais... Os médicos deveriam proibir... como doem !

Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde.

E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.

Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna!

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau !

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.

Conversa é melhor do que piada.

Exercício é melhor do que cirurgia.

Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.

Economia é melhor do que dívida.

Pergunta é melhor do que dúvida.

Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada !

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Anotações de amigo

Você pede rumo certo Para o caminho em que avança; Mas você mesmo é quem guarda Sua própria segurança.
Obrigação, que se abraça, Tem força de compromisso. Em favor de sua paz Não tente esquecer-se disso.
Proteja o corpo em que vive Para as tarefas do bem; O lavrador que produz Preserva a enxada que tem.
Transforme o tempo em serviço, Lembrando, em linhas gerais, Que a vida volta no tempo, Mas o tempo, nunca mais.
Conserve constantemente Verbo limpo e mente sã. O que possa fazer hoje Não deixe para amanhã.
No socorro aos semelhantes, Cooperação é dever; A consciência tranqüila Não tem questões a temer.
Cada aluno está na escola Para a lição, tal qual é. Perante ofensas, perdoe: Perante lutas, mais fé.
Ante amarguras, trabalhe; Se há provações a transpor, Nas sombras que se avolumam, Trabalhe com mais amor.
Olvidar-se e ser mais útil Dissolve qualquer pesar. Para a bênção de servir Nunca se faça esperar.
Estude, eleve, construa E nada fará em vão. Recorde: a luz da verdade Não conhece oposição.

Chico Xavier e Casimiro Cunha

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Testamento de uma avó

 Para Luisa, Maria e Sofia 

Mais um dia de comemoração que chega sem alarde e sem o apelo comercial: "Dia dos Avós"! Li algumas mensagens na internet e fiquei pensando em como as coisas mudaram! Pensei nas minhas avós, aparentando muito mais idade, comum naquela época, seus cabelos brancos, como toda avó que se prezasse. Uma eu se quer lembro a fisionomia, pois desencarnou quando eu ainda era muito pequena. A outra partiu desta vida quando eu era adolescente. Mas, lembro-me bem de como ela era. Havia ficado cega, mas, enxergava muito mais do que quem tinha dois olhos perfeitos. Convivi pouco com elas, pois moravam na roça e não tínhamos as facilidades de transporte de hoje. Mas, o suficiente para poder fazer uma comparação.

A figura da avó não é mais daquela mulher que descansa numa cadeira de balanço, faz crochê ou prepara bolinhos à tarde.  Elas são mamães duas vezes, são a voz da experiência, algumas cozinheiras de mão cheias. Muitas ajudam na educação dos netos, cuidam deles na ausência dos pais e fazem de tudo para se aproximar e dar carinho. Elas agora são modernas, mergulham nas ondas da internet, respondem e-mail, entram em redes sociais como o Facebook, se relacionam com outros avós ou mesmo se utilizam desta ferramenta para trabalhar e ganhar o sustento, como é no nosso caso.

Alguns avós têm o privilégio de ter netos por perto dando e recebendo carinho. Ensinando e aprendendo com eles. Eu não tenho esta sorte, pelo menos por enquanto, minhas  três netinhas estão a quilômetros de distância. Assim, como não posso abraça-las e falar das minhas experiências, vou transcrever aqui um texto, do qual desconheço o autor, que transmite exatamente os meus sentimentos neste momento. "Testamento de uma avó".

"Quero lhes dizer, queridos netos, o que vale a pena.
- Vale a pena crescer e estudar.
- Vale a pena conhecer pessoas, ter namorados e namoradas, sofrer ingratidões, chorar algumas decepções e, apesar de tudo isto (ou por causa de tudo isto), ir renovando todos os dias sua fé na bondade essencial da criatura humana e o seu deslumbramento diante da vida.

- Vale a pena verificar que não há trabalho que não traga recompensa, que não há livro que não traga ensinamento, que os amigos têm mais para dar que os inimigos para tirar, que, se formos bons observadores, aprenderemos tanto com a obra do sábio quanto a vida do ignorante.

- Vale a pena ver que toda a amargura nos deixa reflexão, toda tristeza nos deixa a experiência e toda alegria nos enche a alma de paz.

- Vale a pena casar e ter filhos. Filhos que nos escravizam com seu amor e nos concedem a felicidade de tê-los junto a nós e vê-los crescer. Filhos que, ao crescerem um pouco, já discutem conosco, acham que sabem bem mais que nós (e às vezes sabem mesmo) e nós aprendemos com eles.

-Vale a pena viver estes assombrosos tempos modernos em que os milagres acontecem ao virar de um botão, em que se pode telefonar da terra para a lua, lançar sondas espaciais, máquinas pensantes, à fronteira de outros mundos. E descobrir que toda essa maravilha tecnológica não consegue, entretanto, atrasar ou adiantar a chegada da primavera.

- Vale a pena viver, mesmo com todas as limitações a que o ser humano está sujeito, quando lembramos que o surdo vê a luz do sol, que o cego ouve a música das coisas, que o mendigo sonha com as estrelas, que não precisamos de todos os sentidos para participar do esplendor da criação.

- Vale a pena mesmo sabendo que vocês verão coisas que eu nunca vi, assim como vejo coisas que meus pais não viram, e meus pais viram coisas que meus avós não viram.

- Vale a pena, certamente - o saber acumulado dos cientistas e especialistas que revelarão coisas que a mim não foram reveladas. Pode ser que vocês conheçam seres vindos de outros planetas, o que para mim é teoria e especulação, assim como a televisão e outras invenções foram teoria e especulação para meus avós já falecidos.

- Vale a pena, mesmo quando vocês descobrirem que tudo isso que estou mencionando é de pouca valia, porque a teoria não substitui a prática e cada um tem de aprender por si mesmo que o fogo queima, que o vinagre amarga, que o espinho fere e que o pessimismo não resolve rigorosamente nada.

- Vale a pena até mesmo envelhecer como eu e ter netos como vocês, que me devolveram a infância e a juventude.
- Vale a pena mesmo que eu parta e suas lembranças de mim se tornem vagas. Mas quando outros disserem coisas boas de seus avós, espero que vocês possam dizer de mim simplesmente isto:
"Minha avó foi aquela que me disse que valia a pena....E não é que ela tinha razão?"

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O que é ser manso e pacífico?

Muitos acreditam que ser manso e pacífico é estar predisposto a aceitações permanentes das intempéries naturais que a existência possa oferecer ao indivíduo. Acreditam ainda que ser manso e pacífico é ser subserviente a qualquer proposta, sem relutar, reclamar, propor, modificar.

Vejamos o exemplo de Jesus: Ele andou como um homem simples em meio a um povo cheio de lágrimas, opulências e maldades. Em momento algum deixou de ser o espírito altaneiro e virtuoso que é. Sua mansuetude encanta a todos que estuda Suas lições, comportamentos e propostas. A paz que Ele transmitiu referenda toda a Sua mensagem e ações. Assim sendo, ser manso e pacífico tem outros atributos que precisam ser pesquisados.

A mansidão, segundo os dicionários, é a brandura de índole, mas também é atributo do gênio. Um espírito genial não necessita sobrepor-se a nada ou a ninguém para mostrar suas qualidades. Elas são suas marcas, seus aparatos, seu espelho. A serenidade lhes é peculiar, pois sabem dar o passo certo para o local exato. Sabem esperar, sabem propor, sabem praticar seus misteres com tranquilidade porque conscientes de si mesmos. Os gênios são aqueles que já romperam as barreiras do ego inferior e buscam com permanência os status superiores do existir, permitindo igualmente que o irmão ou irmã ao lado faça o mesmo. Neles busca seus pares, semelhantes que lhe possa enriquecer numa espetacular projeção de crescimentos do self. Olha o mundo não como uma gaiola de loucos ou uma jaula para humanos e sim como uma feliz oportunidade de manipular todas as informações contidas na natureza e suas leis. O manso olha para a tempestade em fúria e vê nela a ação do puro se fazendo. Olha para o fogo abrasador de um incêndio e vê nele a restauração de um ouro perdido, presto a modificações salutares e revitalizadoras.

O manso não é aquele que deita numa rede de balanço e olha para o céu como um ser estático perante a grandiosidade cósmica. Se deita numa rede o faz para meditar enquanto se enriquece das presenças dos raios que emanam de Deus através da Sua Augusta e perene criação. O manso não é aquele que aceita propostas indecorosas para manter-se vivo perante as modalidades fétidas e passageiras de ações infelizes impetradas por espíritos belicosos que nada produzem de útil para a sociedade. Antes, sugam dela seus legítimos direitos, envolvendo-se em deveres atrozes que lhes cobrarão ações hercúleas num futuro. Muitas vezes em dores lancinantes da culpa, do arrependimento, através torturas físicas e morais difíceis de serem descritas.

O manso entende que o dinamismo próprio para as solturas espirituais demanda tolerância, indulgência e bondade. Assim ele se estabelece como um ser em busca da sua própria plenitude. Somente o ser pleno consegue atingir os atributos da reta consciência. Pela questão 615 de “O Livro dos Espíritos” somos informados de que a Lei de Deus é eterna e imutável. Enquanto não a praticamos sofremos as injunções das nossas rebeldias. Sabemos hoje que somente a prática do bem e a consciência reta podem nos garantir os avanços à plenitude espiritual. Sem mansuetude isto é impossível. Sem mansuetude nossos olhares continuarão travessos; nossas mãos, garras perigosas, nossos pés buscarão trilhas e escarpas ao invés de caminhos. A mansuetude é luz que guia que promove o indivíduo a patamares onde as observações podem ser feitas com maiores profundidades. Na mansuetude respiramos ares benfazejos porque nos é possível seleciona-los sem atropelos. Na mansuetude os esgares cedem espaços a tudo que é convicto porque pensado com parcimônia. Somente na mansuetude é possível buscar nos seres e propostas seus reais valores e credibilidades. Por isto o gênio é manso.

Na cadência mansa do cordeiro Jesus estabeleceu Seu aprisco. Na cadência mansa dos astros a rolarem peremptórios pelos espaços cósmicos, Deus estabeleceu a Casa para morada dos Seus filhos. Na cadência feliz dos espíritos que se auto descobrem a centelha divina vai se expandido, enriquecendo o indivíduo, tornando-o livre. O espírito livre vê mais distante, vê as entrelinhas, vê as essências – fundamentos primeiros das coisas e causas, tornando-se diferenciado, respeitado, um dínamo propulsor do progresso, genial! Sabe de antemão que o orgulho e o egoísmo representam o maior obstáculo ao progresso. E reunidos criam no ser um estado de inconstância e apreensões, medos e inseguranças que o fazem retrógrado, muitas vezes avançado intelectualmente e estirado num lamaçal no campo da moralidade. Isto não é plenitude que promove a mansuetude. São desvarios que promovem guerras internas e externas.

O manso sabe que o entrelaçamento dos valores intelectuais e morais promovem a corrente do bem e avança por ele e, através dele, atinge os cumes dos seus ideais para entendê-los além numa feliz sucessão de probidades espirituais. Sabe que os bens terrenos são apenas passageiros e não conduzem os seres aos próprios “vir-a-ser” de excelências. Ele estudou a questão 785 de “O Livro dos Espíritos” e aprendeu que a humanidade ainda não atingiu o apogeu da perfeição, mas que ela é perfectível, portanto, ele próprio é um ser perfectível por pertencer à raça humana.

E o ser pacífico, quem seria ele? Um pregador ermitão morando nas alturas do mundo, confortando almas em desalinho que de quando em vez o procura? Ou um intérmino dialogador silencioso conversando infinitamente com os vegetais numa atitude quase ante social? Seria um andarilho de cajado liso a andar pelas estradas à procura do seu “eu” superior? Seria ainda o mediador das contendas a promover as bondades em meias partes iguais? Afirmamos que o ser pacífico é maior e mais aparelhado dinamizador do progresso real da humanidade. Passividade não representa compassividade para com o erro ou o atraso moral e intelectual de quem quer que seja e em qual civilização for. Há um provérbio chinês que diz: “Em plena paz deves agir com intensa atividade e, em intensa atividade, deves agir com intensa paz”. Um é perfeito corolário do outro. Um complementa o outro. O pacífico é, pois aquele que vislumbra o belo e a perfeição, a face do bem em todas as moedas que encontra pelo caminho. Sabe das temporalidades dos eventos. Sabe das distorções promovidas pelos incautos, sabe das propostas promissoras ao surgimento de novas alianças com a luz. Somente o pacífico pode ver a luz. Somente o pacífico pode agir com justiça, solidariedade e amor pelas pessoas e circunstâncias. Porque somente naquele estado as intuições saudáveis podem penetrar-lhe o ser buscando suas profundidades de filho de Deus.

Por isso que Jesus disse: “Felizes são os mansos e os pacíficos porque eles herdarão a Terra”. Ver em Mateus Cap. 5 Vv.  4 e 9. E que Terra eles herdarão? Juntemos aqui outra palavra do Mestre Jesus: “Meu Reino ainda não é deste mundo”. Ver João Cap. 18 Vv. 33 a 37. Ora, Ele estava defronte Pilatos ali representando o poder temporal. O mesmo poder que todas as nações do mundo estabelecem ainda hoje como critérios de representatividades. Roma era o máximo. Isto, na pura concepção da transitoriedade. Jesus O representante do Poder Divino que rege toda a Criação através das suas leis imutáveis porque absolutamente justas. Roma e Jesus o mesmo que os reinos atuais e o Reino Futuro. No Reino de Jesus os brandos e os pacíficos aprendem com Ele, convivem com Ele, trabalham para Ele. Gradativamente a Terra vem sendo saneada pelas propostas da mansuetude e da paz. Cada gênio que aqui nasce ou renasce estabelece novas diretrizes, novos caminhos, criando pilares para que o projeto do Senhor desta humanidade possa, enfim, estabelecer-se nos sítios inferiores do planeta Seu reinado é de eficácia e luz, liberdade para todos e responsabilidade aliada. Assim, os murros, socos, pontapés, lixos orais ou grafados, atividades bélicas, corrupções, negociatas, infidelidades, drogas lícitas ou não, mentiras e um sem conta de propostas e comportamentos, filhos eficientes do orgulho e do egoísmo, estão com seus dias contados neste mundo. Como no futuro não haverá cidades fantasmas, esses agêneres infelizes terão que ser remanejados. Para onde? Para onde suas consciências indicarem, suportar e aninhar dentro dos seus propósitos de egos inflados ou subservientes.


        Guaraci de Lima Silveira 

domingo, 22 de julho de 2012

Mande a culpa embora e seja feliz!

O que você tem feito pela sua felicidade? Você acha que merece ser feliz? Que bom se a resposta a essa última pergunta é um “sim” óbvio. Você deve saber que ainda há muita gente que sente culpa por se sentir feliz. Com isso, seus momentos de felicidade nunca são completos.

Eu afirmo que existem momentos de felicidade completa. Não me venha argumentar com a felicidade dos anjos, que é incomparável com a nossa. Não estou falando em anjos (ou espíritos puros, para o espiritismo), estou falando em nós; em mim, em você, em nossos próximos. Eu mesmo, de vez em quando, vivo momentos em que não falta nada para que os chame de felizes. Você também, provavelmente.

As pessoas têm me perguntado frequentemente se eu pratico tudo o que escrevo. É claro! Se fosse para escrever algo que não sigo, ou que não acredito, escreveria ficção! Se me perguntarem se tudo está sempre ótimo pra mim, se estou sempre sorridente e tranquilo, a resposta será diferente… Somos aprendizes, todos nós. O que nos diferencia uns dos outros é a persistência em praticar o que se sabe ser verdadeiro.
O que é inegável é que há algumas condições propiciadoras da felicidade. Condições que nos predispõe mais facilmente à felicidade. O trabalho, a sensação do dever cumprido, fazer o que se sabe que deve ser feito. Sem o preenchimento desses itens, você pode passar a vida no topo de uma montanha em posição de lótus e dizendo “om” que não vai adiantar nada.

Por outro lado, mesmo que se cumpra com esses requisitos básicos, há alguns impedimentos. O maior deles, sem dúvida alguma, é a culpa. E a culpa merece alguns parágrafos à parte.

O sentimento de culpa adia indefinidamente qualquer possibilidade de ser feliz. Sentir culpa é não aprender com os próprios erros, não tirar lições dos equívocos cometidos. Todos erram, faz parte do processo de aprendizado. Fico muito contente quando encosto a cabeça no travesseiro e constato que não cometi nenhum erro grave durante o dia. É motivo de comemoração íntima. Mas os erros, assim como os acertos, tem a função de nos ensinar. Tudo, na passagem pela matéria, é oportunidade de aprendizado. Quando não conseguimos aprender com os erros surge o sentimento de culpa.

Não adianta nada ficar lamentando pelo erro cometido. Ficar choramingando e se lamuriando só agrava a situação. Errou? Que pena! Vai chorar por isso? Espere pra chorar quando conseguir reparar ou compensar o erro cometido. Chore de alegria, chore de gratidão pela infinita misericórdia de Deus, que sempre lhe oferece novas oportunidades na vida. O que é a reencarnação senão uma nova oportunidade? Não é a culpa que vai resolver seus conflitos internos. Só o que você consegue com a culpa é a paralisação e a perda de energias.

A busca é incessante. Se deixarmos de buscar, se pararmos de nos esforçar, tudo pára, tudo fica estagnado. Você não pode parar, você é espírito imortal perfectível, você é muito mais do que consegue imaginar. Nesse processo de busca é preciso estar sempre aberto para novos conhecimentos, novas possibilidades. Quantas vezes você já constatou que as coisas não são exatamente como você pensava?

Ame! Ame aos outros, mas ame primeiro a você mesmo! Você é digno de todo o amor do mundo! Seja mais tolerante com você, reconheça suas limitações. Nenhum de nós vai virar São Francisco da noite para o dia. Não podemos deixar de tentar a reforma íntima nunca, em nenhum momento, mas a cobrança interna tem que estar de acordo com nossas possibilidades. De que adianta se sentir culpado pelo que você fez ou deixou de fazer? Tudo o que você planta, você colhe. Mas a colheita dos erros não quer dizer castigo. Ninguém está aqui pra sofrer. O sofrimento é a última alternativa de aprendizado. Não é a norma. A norma é aprender com tranquilidade.

Se você eliminar a culpa e se propor a aprender com os erros, verá que o universo conspira a seu favor. Você já ouviu isso em algum lugar, né? Eu já ouvi e li isso muitas e muitas vezes. Custei a acreditar que a verdade fosse tão simples… Tudo bem, tive uma ou duas décadas mais trabalhosas que o necessário, mas tudo bem. Está em tempo de ser feliz. (http://www.espiritoimortal.com.br)