segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vida após vida nessa vida



  Bemvindo Sequeira


Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade na luta contra a ditadura, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos... Tudo me levava a crer que não chegaria aos trinta anos.
Para quem tem vinte anos, quem tem trinta já é coroa. Tomei um susto quando vi-me vivo e saudável aos trinta.
Aos quarenta percebi a possibilidade real da morte. No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: "Agora? de frente para a morte". Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois.
Aos cinqüenta apaixonei-me pela letra de Aldir Blanc na voz de Paulinho da Viola: "... aos cinqüenta anos, insisto na juventude...", isto enquanto percebia meu ângulo peniano caminhando para os 90º. Mas, antes dos sessenta a pílula azul alargou minhas possibilidades e possibilitou-me ver o sexo por ângulos mais estreitos.
Agora estou além dos sessenta.
Aos quarenta, rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço "... pelos mortos em geral".
E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7 que diz: "... 1.000 cairão ao teu lado e 10.000 à sua direita, mas você não será atingido". Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquise pra São Pedro não me ver.
Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos trinta, descubro que existe vida após a vida.
Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no youtube, malhar, casar, ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web, e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas.
Após os sessenta, você já está quite com tudo isto e pensa que vai viver em paz.
Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia mesmo sem querer, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartamento, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos, agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia, e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto...
Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho mais transparente você se torna. Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam.
Mas, pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: "Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade"... E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça enfartar ou ter um AVC. Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos, e é garantia de muitas meias e lenços como presentes no Natal.
Lidando com a minha "terceira idade" ouço de meu psicanalista, o bom Luiz Alfredo: "Só há dois caminhos: envelhecer... ou o outro, muito pior".
Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo "sim" que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória. Hoje quando encontro vaga num elevador do shopping, quando o banco está vazio, ou quando encontro promoção na farmácia, já considero uma bênção gigantesca e agradeço a Deus pela Graça Alcançada...
Após os sessenta, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio "Esses moços, pobres moços... ah se soubessem o que eu sei...". Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo. Como diz o amigo Percinotto, também idoso: "o diabo é sábio porque é velho".
Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me.


*Bemvindo Sequeira - ator, humorista, autor e diretor de teatro, cinema e televisão.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A importância de admirar seu cônjuge



"Tudo é transitório, passageiro na vida; não há porque perder a esperança. O que hoje é, amanhã poderá deixar de ser ou de ter importância." (Suely Buriasco)

 É muito comum hoje em dia as crises nos relacionamentos, especialmente os longos. Nenhum casal esta livre disso. Posso falar de cátedra, pois são 33 anos de convivência e, graças a Deus, mantendo o respeito conseguimos passar por todas as crises sem muitos estragos e hoje estamos em perfeita harmonia e vivendo como se tivéssemos começando o namoro. Por isso, lendo este artigo decidi compartilhar com os amigos, por considerar que merece uma reflexão.

É lamentável ouvir um cônjuge falar mal do outro ou vê-los destratar-se em público. Não que seja menos triste fazerem em particular; mas essas manifestações demonstram total desrespeito. Então pergunto: como viver bem com alguém que não se admira?

Na relação a dois, o respeito e admiração contam muito no fortalecimento da união do casal. Se você não admira seu cônjuge a relação de vocês está fadada ao fracasso, pode até ser duradoura, mas jamais satisfatória. Se você não vê qualidades em seu cônjuge, jamais será feliz com ele.

Muitos casais acabam acostumando a viver dessa forma, criando uma rotina destrutiva. Se você reconhece esta situação em sua vida, algumas reflexões podem ser importantes no sentido de buscar a melhoria da relação:

1. Volte ao passado. O que fez você desejar a primeira aproximação com a pessoa com quem quis se casar? É importante lembrar detalhes do tipo:
Como você se sentia e o que chamou a sua atenção?
Como era olhar para essa pessoa?
O que você gostou nela?
Não é difícil concluir que você a admirava a ponto de querer viver com ela.

2. De volta ao presente. Pense com franqueza:
O que mudou?
Seu cônjuge não é mais o mesmo ou é você que o olha diferente?
Todo mundo tem defeitos e qualidades, o que você está priorizando?

3. Dê justo valor às coisas. Com o tempo é comum que deixemos de valorizar as pessoas que convivem conosco. Infelizmente é como se nos acostumássemos com o que é bom. Assim nos acomodamos e só damos valor quando perdemos. Mas isso não precisa ser assim, basta que reconheçamos o que é realmente primordial em nossas vidas. Você tem reconhecido as qualidades de seu cônjuge? Como seria a sua vida sem ele?

4. Altere as lentes. Já ouviu falar que as coisas que você enxerga depende das lentes que usa? Mude a maneira de enxergar seu cônjuge, analise seus atributos, olhe para ele de forma positiva. Há quanto tempo você não o vê assim? O que lhe parece agora?

5. Fala e pensamento. Tente um exercício simples: discipline sua fala e até seus pensamentos. Não admita considerar o que o irrita em seu cônjuge, troque isso por alguma atitude que você admira nele. Persista para mudar o hábito de só levar em conta o lado que você considera negativo nele.

Antes que seja tarde, mude a maneira de olhar o seu cônjuge e dê prioridade às boas qualidades dele. Relações desgastadas são aquelas cujos cônjuges se envolveram tanto em rivalidades e mágoas que se esqueceram do que há de bom um no outro.

Reflita. Você se surpreenderá com as próprias conclusões.

Suely Buriasco é escritora, educadora e consultora; especialista em MEDIAÇÃO DE CONFLITOS e MEDIAÇÃO CORPORATIVA.
Publicado em Família.com.br

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Dia da Amizade e Internacional do amor



             No Brasil o dia do amigo é comemorado em varias datas. 14 de fevereiro,18 de abril, 20 de julho...
Amigo - Que é ligado a outro por laços de amizade. Em que há amizade.
Amizade - Sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou atração sexual. Essa é a definição do Dicionário Aurélio.
            Porém, quem traz no peito esse sentimento nobre, sabe que a amizade vai muito além da definição de um dicionário. Amizade é uma espécie de amor fraterno que, quando verdadeiro, só deseja ver o amigo feliz. Realizar seus sonhos, desenvolver seus potenciais, alcançar suas metas. Tem como base a troca de experiências, de anseios, de vida, envolto num clima de fidelidade, confiança e respeito mútuo. Respeito pelos seus defeitos, por aquilo que, se não podemos mudar, ao menos podemos relevar e ajudar no que for possível. Afinal, amigo é para todas as horas, tristes ou felizes, com grana ou sem grana, para a aventura ou para o tédio.
            Verdadeiros amigos vão julgar suas escolhas, criticar suas decisões, vão desaprovar suas prioridades. Contudo, se a casa cair eles vão te ajudar a reconstruir. Bons amigos são aqueles que quando pedir conselhos e eles acharem que mesmo assim vai fazer a escolha errada ele vai se calar. É assim que verdadeiros amigos devem ser. Não devem proteger das quedas, e sim ajudar a curar as feridas.
            Dia internacional do amor - Não por acaso neste dia também se comemora o amor. Exceto no Brasil, onde se festeja o Dia dos Namorados em 12 de junho, em todos os países se comemora em 14 de fevereiro o Dia Internacional do Amor.
            Há várias versões sobre o surgimento dessa comemoração, que nos reportam às festas romanas pagãs e às manifestações de fé dos cristãos. Na versão mais conhecida, a comemoração teria se originado nas lupercálias, festas pagãs celebradas, na antiga Roma, que se iniciavam no dia 14 de fevereiro, dedicadas a Luperco ou Pã (deus protetor dos rebanhos e dos pastores) e a Juno (deusa do amor). Na Idade Média, dizia-se que esse era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam essa ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta da amada.
            No século III, também em Roma, o padre Valentim celebrava matrimônios, contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido casamentos durante as guerras, por acreditar que os solteiros eram melhores combatentes. A punição foi inevitável: padre Valentim ficou preso na casa do prefeito de Roma, que era pagão, assim como sua família. Esse prefeito tinha uma filha cega, que foi curada pelo padre; desse modo, ele conseguiu converter toda a família.
            De qualquer maneira, todos os dias, é dia de comemorar o Amor e a Amizade, que estão diretamente ligados um ao outro. Um não existe sem o outro.
            O amor é o sacrifício pelo próximo. Amar é interessar-se pela vida do outro, é perguntar: Como foi seu dia? É questionar: Você está bem? E estar realmente atento para ouvir a resposta. Amar é modificar nossa rotina para ouvir um amigo, fazer-lhe uma visita, levar notícias boas.
            Amar é adiar um sonho para atender as necessidades de outrem. Amar é respeitar as opiniões dos outros, mesmo que elas sejam diferentes das nossas. É abraçar as pessoas, não apenas quando celebram aniversários, ou conquistas, mas sempre que o coração lembrar do quanto se querem bem. Amar é chorar junto. É sorrir junto. É saber dizer sim. É saber dizer não. É saber ouvir um sim e saber ouvir um não. As pessoas que amamos são os agentes que fazem com que nossa consciência esteja satisfeita, que nosso íntimo receba energias revigorantes do Alto, fazendo-nos mais felizes.
Amar é ser amigo. Ser amigo é amar.

NE: Com informações da internet.

Amizade e amor
         William Shakespeare
 Perguntei a um sábio,

a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.


NE: Para o meu melhor amigo e único amor Cristóvam Aguiar.

Mantém-te em paz

É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.
Para isso, contudo – para que a tranqüilidade te banhe o pensamento -, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.
Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a exasperação.
Junto da serenidade, poderás analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito.
Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho…
Todos os que surgem aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões. Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços… Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajadas ou contundidas.
Uns acusam, outros choram.
Ajuda-os, enquanto podes.
Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.
Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.
Recorda-te de que a natureza, sempre divina em seus fundamentos, respeita a lei do equilíbrio e conserva-a sem cessar.
Ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.
Viver de qualquer modo é de todos, mais viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.

Chico Xavier. Da obra: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A mentira



“O exercício da mentira assevera-nos o rosto, petrifica-nos busto e engrandece-nos a ira. O exercício da mentira engrandece-nos as posses, ajoelha-nos em preces sob o teto das igrejas. O exercício da mentira faz-nos fortes, barulhentos, tece grandes pensamentos para encher-nos de amarguras. O exercício da mentira faz-nos lúcidos, divinos, torna os animais humanos e torna os deuses caninos. O exercício da mentira (por que tamanha maldade?) concedeu-nos – que loucura – o exercício da verdade”.

Estes são versos do poeta feirense Roberval Pereyr em reflexões sobre a mentira. Por que mentimos tanto? Os seres humanos, de um modo geral, são propensos a mentir. Mente para mitigar suas dores, esconder seus rancores, disfarçar seus desejos. Mente por não ser capaz de suportar as verdades de viver.

O ser humano viveria melhor se encarasse a verdade de frente, porque, como disse Shakespeare, “A verdade é verdade através dos tempos”. A verdade é o que de real existe, sem sofismas, sem permeios, sem embustes. Simples, como toda verdade o é.

Por que mentir? Pra que mentir? Se no final a verdade sempre aparece e prevalece. Melhor pegar logo o touro pelos chifres do que ficar adiando um confronto inevitável. A vida nos impõe obstáculos diários a serem superados. Se não os encarregamos logo deles, vão se acumulando e se fortalecendo. Chegam a um ponto em que se tornam quase insuperáveis.

Digo quase por que sei que Deus não nos dá uma cruz maior do que a que podemos carregar. Por maior que seja o fardo que nos é entregue, podemos carregá-lo. Deixar para depois o que é pra ser feito agora, é só adiar a execução de uma tarefa que teremos que cumprir de qualquer jeito, acumulando com as outras que virão, aumentando o peso do fardo a carregar.
A mentira nos dá a ilusão de que alguém virá fazer por nós uma tarefa que só nós poderemos cumprir. Disse John Lennon: “Não espere que eu, Jesus Cristo, Buda ou presidente da República venha fazer alguma coisa por você. Você só pode contar consigo mesmo”. Grande verdade!

Mas as piores mentiras são relativas aos sentimentos. Por que sofrer com desejos e sentimentos que não temos se podemos ser felizes com a nossa realidade? Olhemos em nossa volta. Em que mundo estamos vivendo? Prestemos atenção na nossa realidade e não vamos nos fazer de mortos diante dela.

Este é o nosso mundo. Esta é a nossa realidade. É assim que somos e é assim que devemos viver. Sem ilusões e sem falsas promessas.

Apenas viver, e não ter vergonha nem medo de ser felizes com o que temos e o que somos. Apenas isso.


 Cristóvam Aguiar (13.05.2011)