O blog Espaço Livre foi criado com o propósito de compartilhar textos que venham acrescentar algo à vida das pessoas. Alguns escritos por mim, outros copiados, mas sempre identificando a fonte e os autores. Se alguma vez deixar de faze-lo, ou se algum autor se sentir prejudicado, peço que se manifeste para que possa fazer o devido reparo. Meu único propósito é partilhar conhecimento com os irmãos.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Mais um aniversário...
“Viver! E não ter a vergonha de ser feliz...
Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...
Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz...
Ah meu Deus! Eu sei, eu sei que a vida devia ser bem
melhor e será... Mas isso não impede que eu repita... é bonita, é bonita e é
bonita...”
Estou eu aqui
mais uma vez às vésperas do meu aniversário... Fazer aniversário... o que isso
significa? Acumular anos de vida? Experiências? Acho que sim. Mas, é
principalmente comemorar os resultados de uma jornada com erros e acertos,
dividindo o tempo em etapas vividas como as estações que alternam os meses, mudando
o clima e alternando a cor, aquecendo ou esfriando, florescendo ou frutificando
e enchendo o chão da vida.
01.10.2014.
Mais um ano se passa... e não foi um ano qualquer... deixou marcas,
ensinamentos, grandes mudanças, gratidão... ao somar mais um ano em minha
passagem pela terra, sinto necessidade de uma reflexão. 56 anos. Foram mais de
vinte mil e quatrocentos dias até aqui. É hora de olhar pra traz e observar as
marcas deixadas, de encarar os fatos novos, de desapegar e viver novas emoções.
Estou me aposentando após 40 anos de trabalho (35 dos quais como jornalista).
Mas, a hora não é de parar e ficar sentada numa cadeira de balanço fazendo tricô...
A hora é de reconstruir, ajustar, não ignorar as tristezas e agradecer pelas
inúmeras alegrias.
“É hora de
celebrar, expulsando memórias, lembrando dos pequenos gestos, suavizando
os ressentimentos, retardando as inquietações. É hora de agregar valores novos,
de polir as ideias, de limpar as mágoas, de encomendar esperança, hora de virar
a página, de prender a fera e soltar a criança. É hora de parir novos sonhos,
de alcançar as metas, de rir o meu riso e de chorar o meu pranto. Hora da
conscientização, de avaliar - da (re)conciliação!”
Foram muitos
anos, mais de seiscentos e setenta meses, foram muitas ilusões, sonhos,
enganos, frustrações, satisfações, decepções e escolhas que me trouxeram o que
eu precisava aprender... cometi deslizes, falei o que não devia,
me precipitei, julguei - e mal! Magoei pessoas que amo, fui magoada,
esqueci as promessas íntimas que me fiz... Acreditei e confiei...
Outras escolhas, no entanto, me levaram por
caminhos férteis, onde semeei uma dose boa de esperança e uma extra, de
humildade. Quero colher os frutos bons, porque se penei atravessando
tempestades, hoje quero o calor do sol e a claridade.
Algumas das
escolhas foram muito difíceis, e foi com estas que mais aprendi. Fiz escolhas
que me propiciaram momentos perfeitos, alguns trouxeram alegrias inesquecíveis,
reencontros, proximidade, afetos resgatados, ousadia e coragem. Parte de minhas
escolhas ainda me farão caminhar, porque os sonhos estão incompletos e precisam
que eu persevere e saiba esperar. Confio que os resultados esperados serão
novos dias de muita alegria e farta comemoração!
Posse dizer
que sou a mulher que aprendeu com os erros, que reverencia a vida, persiste,
tem coragem, se espanta e se comove, sonha, divaga e acredita. Diz coisas impensadas
e se arrepende, releva coisas bobas que ouve e as horríveis, nem sempre
esquece, mas perdoa, é perdoada. Sou responsável, procuro ser correta, mas
também me engano... sou a amiga presente, cedo o coração, o colo, o ombro, mas
nem sempre correspondo; sou a filha que ama, que se preocupa; sou a irmã e a
tia amorosa que às vezes se descuida; sou a cunhada afetuosa, amiga e
agradecida; sou a mãe que ama demais, que cuida, se preocupa, convive, socorre,
ri e chora junto, agrada, abraça, mas desaponta; e sou a avó que, mesmo à distância,
ama, ama, ama...e é amada!
...Ter uma família
é a certeza de trocas importantes, de tensão e união, de calor nas discussões e
nos abraços, de momentos felizes, de laços e nós. É a forma mais genuína da
demonstração do amor, do perdão, da camaradagem, companheirismo, conflitos e
superações...
Também não
esqueci nessa reflexão de meus sonhos desfeitos, das renúncias, da insegurança
diante de cada decisão, das noites enormes e dos dias vazios, dos momentos de
desespero... Contudo tenho convicção que os tombos foram os momentos de
descanso, e concluo que tenho muita sorte... Nestes 56 anos que vivi, enchi um grande
"baú de lembranças" boas e lindas, formando um tesouro precioso.
Por tudo que vivi, pelos últimos acontecimentos na minha vida, pelas
pessoas que dela fazem parte, pela saúde que todos temos, pelas oportunidades e
recursos maravilhosos para usufruir dessa vida abençoada, sou infinitamente
grata! Enfim, nestas quase seis décadas de vida tenho muito a agradecer e quase
nada a pedir a Deus! Apenas que Ele me dê sabedoria e luz para cumprir a missão
que me foi destinada nesse planeta. E concluo com a continuação da letra de
Gonzaguinha...
E
a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão. Ela é a batida de um coração. Ela
é uma doce ilusão... Mas e a vida ela é maravida ou é sofrimento? Ela é alegria
ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão...
Há quem fale que
a vida da gente é um nada no mundo. É uma gota é um tempo que nem dá um
segundo... Há quem fale que é um divino mistério profundo. É o sopro do criador
numa atitude repleta de amor... Você diz que é luta e prazer... Ele diz que a
vida é viver. Ela diz que melhor é morrer pois amada não é e o verbo é
sofrer... Eu só sei que confio na moç e na moça eu ponho a força da fé. Somos
nós que fazemos a vida como der ou puder ou quiser... Sempre desejada, por mais
que esteja errada ninguém quer a morte, só saúde e sorte... E a pergunta roda e
a cabeça agita. Fico com a pureza da resposta das crianças é a vida, é bonita e
é bonita...
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Contra a Violência
Como epidemia social, a violência vem tomando lugar
na sociedade, de maneira generalizada.
Muitos vêm deixando de lado o trato social, abrindo mão das pequenas gentilezas cotidianas, como algo fora de moda ou de contexto.
Homens e mulheres, com honrosas exceções, vêm se permitindo extravasar a própria violência em ações e comportamentos.
Se estão no trânsito, a sua pressa justifica ultrapassagens ilegais e desrespeitosas, não cedendo passagem a quem pede, transformando-se, não raro, em uma verdadeira máquina de guerra, dentro de seu carro.
No trato cotidiano, a impaciência não lhe permite compreensão com algum idoso à sua frente, em um passo mais lento, natural da idade.
Com alguém que lhe pede breve informação, não oferece parcos minutos para a resposta valiosa.
E se alguém desavisado lhe ocasiona algum contratempo, transborda sua fúria em tratamento desrespeitoso, pautado por vocabulário vulgar e ofensivo.
A imprensa veicula notícias que se sucedem e impressionam pela violência, desequilíbrio e rudeza das pessoas.
Mata-se por motivos banais, corrompe-se vidas com justificativas levianas, agride-se física e moralmente como se fosse direito irrefutável.
Assim agem muitos, na atualidade.
Aturdido pelas conquistas tecnológicas, maravilhado pelas possibilidades do mundo moderno, o homem se deixa perturbar, por não dar conta de tantas possibilidades e novidades.
Ganha o mundo na velocidade dos cliques do computador, sabendo de tudo e de todos, nas mais variadas redes sociais.
Ao mesmo tempo, se desorienta por encontrar seus processos intelectuais e emocionais com as velocidades de sempre.
Em um único dia, é capaz de assimilar infindas informações, saber do que acontece em qualquer parte do globo, em tempo real, e de enviar dezenas de e-mails para todas as partes do mundo.
A sua intimidade, no entanto, ainda apresenta um imenso universo a ser descoberto e explorado.
Aparelhado de todos os recursos tecnológicos, não consegue buscar ferramentas no seu mundo interno para enfrentar com equilíbrio os desafios da sociedade moderna.
Por isso, aturde-se. Aturdido, agride.
Torna-se violento, como mecanismo de defesa, para esconder a própria fragilidade.
Quanto mais violento, mais frágil, mais precisando de amparo.
Esses violentos são, na verdade almas enfermas, com dificuldades para dar conta de si e do mundo.
Para conviver com eles, importa armar-se de paz, a fim de agir de maneira sensível, gentil e sensata diante da palavra rude.
Para o comportamento bruto, o trato amável. Para a impaciência, a calma. Para a grosseria, a compreensão.
Somente assim, armados de paz, é que conseguiremos combater a violência.
Sejam os nossos os instrumentos da paz, em todas as circunstâncias.
Na análise do nosso comportamento, na oração e meditação cotidianas, invistamos no hábito das ações serenas e ponderadas.
Dessa forma, munidos de paz, finalmente teremos o antídoto eficiente para agir nestes dias de violência.
Redação do Momento Espírita. Em 23.8.2014.
Muitos vêm deixando de lado o trato social, abrindo mão das pequenas gentilezas cotidianas, como algo fora de moda ou de contexto.
Homens e mulheres, com honrosas exceções, vêm se permitindo extravasar a própria violência em ações e comportamentos.
Se estão no trânsito, a sua pressa justifica ultrapassagens ilegais e desrespeitosas, não cedendo passagem a quem pede, transformando-se, não raro, em uma verdadeira máquina de guerra, dentro de seu carro.
No trato cotidiano, a impaciência não lhe permite compreensão com algum idoso à sua frente, em um passo mais lento, natural da idade.
Com alguém que lhe pede breve informação, não oferece parcos minutos para a resposta valiosa.
E se alguém desavisado lhe ocasiona algum contratempo, transborda sua fúria em tratamento desrespeitoso, pautado por vocabulário vulgar e ofensivo.
A imprensa veicula notícias que se sucedem e impressionam pela violência, desequilíbrio e rudeza das pessoas.
Mata-se por motivos banais, corrompe-se vidas com justificativas levianas, agride-se física e moralmente como se fosse direito irrefutável.
Assim agem muitos, na atualidade.
Aturdido pelas conquistas tecnológicas, maravilhado pelas possibilidades do mundo moderno, o homem se deixa perturbar, por não dar conta de tantas possibilidades e novidades.
Ganha o mundo na velocidade dos cliques do computador, sabendo de tudo e de todos, nas mais variadas redes sociais.
Ao mesmo tempo, se desorienta por encontrar seus processos intelectuais e emocionais com as velocidades de sempre.
Em um único dia, é capaz de assimilar infindas informações, saber do que acontece em qualquer parte do globo, em tempo real, e de enviar dezenas de e-mails para todas as partes do mundo.
A sua intimidade, no entanto, ainda apresenta um imenso universo a ser descoberto e explorado.
Aparelhado de todos os recursos tecnológicos, não consegue buscar ferramentas no seu mundo interno para enfrentar com equilíbrio os desafios da sociedade moderna.
Por isso, aturde-se. Aturdido, agride.
Torna-se violento, como mecanismo de defesa, para esconder a própria fragilidade.
Quanto mais violento, mais frágil, mais precisando de amparo.
Esses violentos são, na verdade almas enfermas, com dificuldades para dar conta de si e do mundo.
Para conviver com eles, importa armar-se de paz, a fim de agir de maneira sensível, gentil e sensata diante da palavra rude.
Para o comportamento bruto, o trato amável. Para a impaciência, a calma. Para a grosseria, a compreensão.
Somente assim, armados de paz, é que conseguiremos combater a violência.
Sejam os nossos os instrumentos da paz, em todas as circunstâncias.
Na análise do nosso comportamento, na oração e meditação cotidianas, invistamos no hábito das ações serenas e ponderadas.
Dessa forma, munidos de paz, finalmente teremos o antídoto eficiente para agir nestes dias de violência.
Redação do Momento Espírita. Em 23.8.2014.
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/convivio-dos-membros-do-forum/contra-a-violencia/#ixzz3BQTchvA4
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
O suicídio de Robin Williams...
O suicídio do ator Robin Williams deixa a mostra esse flagelo que se chama suicídio. É um assunto grave, sério e que infelizmente não é corriqueiro. O número de pessoas que exterminam a própria vida todos os dias em nosso planeta é imensurável. Sim, imensurável porque não se tem todos os registros de pessoas que pedem demissão da vida, porquanto dados são escamoteados.
E para ajudar mídia e sociedade tratam de atirar o tema para debaixo do tapete não o abordando com a seriedade devida, ocultando estimativas a viver num mundo de ilusões... Entendem que falar sobre o suicídio gerará suicídios em massa. Entretanto, consideremos que há formas e formas de abordar o tema. É a informação sobre alguma coisa que abrirá os olhos das pessoas para saberem onde estão pisando.
Portanto, desnecessário falar sobre suicídio mostrando como as pessoas se autoexterminaram, fazendo sensacionalismo, mas fundamental falar sobre como superar os dilemas existenciais, real causa do suicídio. Jesus ensinou: “No mundo tereis aflições”. É bem por ai. Devemos entender que a vida na Terra tem seus altos e baixos, dias que são noites chuvosas e densas. São as aflições a que Jesus se referiu. Nem só de alegrias se faz nossa existência e saber disso já é um bom caminho percorrido para não se desesperar diante dos problemas.
Enfermidade, grana curta, o amor que nos abandonou, o familiar que partiu, a maré que não está lá grande coisa. Todas essas citadas fazem parte de nosso rol de provação neste mundo. O que fazer? Desistir? Suicidar-se? Ora, jamais! Melhor treinar e aprender a ser “infeliz”. Sim, caro leitor, entenda que quando digo aprender a ser “infeliz” estou falando sobre treinar a viver neste mundo cheio de curvas sinuosas.
Levo uma pancada, levanto. Levo outra, caio, mas vou devagar me acertando, e assim vamos vivendo...
O espiritismo nesse particular desempenha papel fundamental ao mostrar que continuamos vivendo, apesar dos pesares, dos problemas e das dificuldades. Extingue-se o corpo, mas fica o espírito, agora em situação mais complicada em virtude do gesto de desespero.
Lembro-me de um amigo orador espírita que foi intuido a modificar sua palestra da noite que realizaria em um determinado centro de nosso país. A tarde toda ficou com a palavra suicídio rondando sua mente. Ele não queria trocar o tema, mas a voz insistia ecoando em sua alma. Porém, de tanto que os Espíritos “cochicharam” em seus ouvidos que ele resolveu naquela noite mudar a programação e falar sobre o suicídio. Qual não foi sua surpresa quando uma mulher o abordou ao final da exposição dizendo que desesperada dirigia-se para uma ponte a fim de atirar-se quando teve enorme vontade de entrar no centro espírita. Para o espanto da mulher o orador falava sobre o suicídio. Ela nunca havia escutado nada parecido. As informações transmitidas pelo orador despertaram na mulher a “vontade de prosseguir”. Ele até então não havia compreendido a razão pela qual passou o dia todo com “alguém” soprando em seus ouvidos para mudar o tema da noite. Graças as suas informações aquela mulher não levou ao fim o seu objetivo. Séculos de tormento evitados por conta de uma simples, mas preciosa informação: A vida não acaba com a morte do corpo.
Outro pontoa refletir é a pressão social que recebemos para sermos felizes. Ah, quanta confusão isto causa na cabeça das pessoas.
Prega-se a felicidade a qualquer custo e não se ensina como lidar com frustrações tão comuns de um planeta em desenvolvimento como o nosso.
O resultado está ai para todos constatarem, uma sociedade infeliz pela busca insana e irracional pela felicidade. Parece um paradoxo, mas não é. O caminho para “exterminar o suicídio” não é esconder dados, deixar de falar ou pedir para que as pessoas sejam felizes na marra... Encarar de frente é o caminho. Penso que só assim deixaremos de ver todos os dias notícias tristes a mostrar que alguém não conseguiu suportar suas provações e desistiu de si mesmo. Posso dizer que é muito melhor um “infeliz” vivo do que alguém que buscou livrar-se dos seus problemas mas está morto.
Mídia e sociedade podem fazer muito para ajudar neste flagelo denominado suicídio. Basta encarar de frente, informar as pessoas e mostrar que aqui temos, sim, problemas e estes servem para serem resolvidos. Uma boa dose de realidade vai colaborar com o mundo. Que tal?
Wellington Balbo (Bauru – SP) é membro da Rede Amigo Espírita
Wellington Balbo é professor universitário, escritor e palestrante espírita, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática. É autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, e dirigente espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.
wellington_balbo@hotmail.com
Blog: http://wellingtonbalbo.blogspot.com/
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
ENVELHECER É UMA ARTE E UMA CIÊNCIA
Amigos, perdoem-me por ter negligenciado esse espaço. Não convem citar os motivos... mas, leiam o artigo a seguir que vale muito a pena...
Anne Leitrim,
uma inglesa de 70 anos de idade, residia sozinha em Bournemouth, no sul da
Inglaterra, e foi encontrada morta no quarto do seu apartamento (após seis
anos). Os vizinhos supunham que ela tinha se mudado e a família (pasmem!) não
sentiu sua ausência durante todo esse tempo. Diante do caso, o servidor Cliff
Rich, membro da organização Contact the Elderly, instituição filantrópica de
apoio a idosos, alegou que muitos anciães são praticamente “invisíveis” para o
resto da sociedade inglesa.
Observemos que estamos diante da sociedade mais conservadora da Terra, tida como de “primeiro mundo”, onde se apregoa muito a importância do “bem-estar” dos idosos. “No Brasil, alguns sociólogos afirmam que, se um país como o nosso precisa de um "estatuto dos idosos" (ou seja, de uma lei), para lembrar a respeitabilidade deles, isso indica que algo está muito errado com a sociedade.”.
Observemos que estamos diante da sociedade mais conservadora da Terra, tida como de “primeiro mundo”, onde se apregoa muito a importância do “bem-estar” dos idosos. “No Brasil, alguns sociólogos afirmam que, se um país como o nosso precisa de um "estatuto dos idosos" (ou seja, de uma lei), para lembrar a respeitabilidade deles, isso indica que algo está muito errado com a sociedade.”.
Certo dia escutei um cidadão (brasileiro) na fila do cartório, esbravejando que
o direito do idoso era uma incoerência, um exagero. Revoltado, arrazoava:
“vamos ao banco, ao cinema, em qualquer fila, até as de emergência, e aquele
montão de pessoas passa na nossa frente se dizendo “preferencial”. Quem é
idoso? A pessoa às vezes nem tem 60 anos, anda de sapato esportivo (tênis), usa
óculos Ray Ban, está magnificamente arrumada, mulheres maquiadíssimas, homens
arremessando glamour e dizem "sou idoso". E lá ficamos nós, otários,
para trás. Acho que há muita indolência. Até office velho os escritórios
arrumaram... Empréstimos, décimo-terceiro antecipado, medicamentos e trabalho?
Tudo é para eles, e nós, que estamos na idade adulta e necessitada, o que sobra
para nós? O governo devia pensar em todos, mesmo porque ser idoso não é ser
minoria".
Sem entrar em disputa com tal indignado cidadão, cabe-lhe recordar que não se
pode generalizar jamais numa circunstância dessas. O processo envelhecer
demanda uma atenção especial em virtude das modificações biológicas,
psicológicas e sociais, sendo necessária uma maior atenção por parte da
sociedade e formulação e efetivação de políticas públicas voltadas para o
idoso. Em muitas culturas e civilizações, principalmente as orientais, o idoso
é visto com respeito e veneração, representando uma fonte de experiência, do
valioso saber acumulado ao longo dos anos, da prudência e da reflexão, enquanto
em outras o idoso representa "o velho", "o ultrapassado" e "a
falência múltipla do potencial do ser humano" – é lamentável!
A História mostra que o envelhecimento do corpo de muitos anciãos não se
processou em paralelo, para quem soube cultivar o Espírito. A idade cronológica
não representou barreiras para Giuseppe Verdi, compositor italiano, que aos
sessenta anos compôs "Aída"; com mais de setenta e quatro,
"Otelo", e aos oitenta e quatro completa três imorredouras páginas
religiosas: "Ave Maria", "Stabat Mater" e "Te
Deum". Pablo Picasso, o genial pintor espanhol, aos noventa e um anos,
cria; Winston Leonard Spencer Churchill, septuagenário, foi a alma da
resistência na Segunda Grande Guerra, e morre aos noventa e um anos em plena
contribuição social.
Que falar ainda de Albert Einsten, Thomas Edison, Albert Schweitzer, Louis
Pasteur, Alexander Fleming, Konrad Hermann Joseph Adenauer, Bertrand Russell,
espíritos altamente produtivos aos setenta, oitenta, noventa anos de idade
física, que não se entregando à vida contemplativa, permanecem vivos até hoje,
quando pelos efeitos de suas descobertas, invenções, ideias e ideais se
mantiveram produtivos, interessados, interessantes e atuantes, apesar, do
envelhecimento físico.
Cremos que a decrepitude deveria ser encarada como venturosa pelo que contém de
gratificante, mormente por causa das longas refregas das buscas e das
realizações. Envelhecer é uma arte e uma ciência, se buscarmos rejuvenescer
nossa alma. Há idosos que conquistaram a longevidade de forma sadia e feliz,
contudo muitos estão largados nos asilos da vida, amargando suas enfermidades
no isolamento. Há os que aceitam sua decrepitude sem rezingar e sem exigir nada
dos outros; todavia igualmente indiferentes não oferecem nada a ninguém.
Dizem que a idade avançada é a noite da Vida, entretanto, a noite pode ser
bela, clara, toda ornamentada de estrelas e constelações, luar e claridade a se
esparzirem de uma longa vida cheia de virtude, bondade e honra! O entendimento
espírita vê a idade avançada como o outono no tempo, fase normal, necessária,
imprescindível na sucessão harmônica dos objetivos e funções da encarnação,
envolta, igual a todas as outras, nos dons da Natureza, nas bênçãos de Deus.
Jorge Hessen
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