quinta-feira, 17 de maio de 2012

Autocontrole



Somos cuidadosos, salvaguardando o clima doméstico. Dispositivos de alarme, faxinas, inseticidas, engenhos de proteção e limpeza.

No entanto, raros de nós se acautelam contra o inimigo que se nos instala no próprio ser, sob os nomes de canseira, nervosismo, angústia ou preocupação.

Asseguramos a tranqüilidade dos que nos cercam, multiplicando recursos de segurança e higiene, no plano exterior, e, simultaneamente, acumulamos nuvens de pensamentos obsessivos que terminam suscitando pesadelos dentro de casa.

Muitas vezes, desapontados conosco mesmos, à face dos estragos estabelecidos por nossa invigilância, recorremos a tranquilizantes diversos, tentando situar a impulsividade que nos é própria no quadro das moléstias nervosas, no pressuposto de inocentar-nos.
Sem dúvidas não podemos subestimar o poder da mente sobre o campo físico em que se apóia. Se acalentarmos a irritação sistemática, é natural que os choques do espírito atrabiliário alcancem corpo sensível, descerrando brechas à enfermidade.

Nesse caso, é preciso rogar por socorro ao remédio. Ainda assim, é imperioso nos decidamos ao difícil entendimento do autodomínio.

No que concerne a temperamento, é possível receber as melhores instruções e receitas de calma; entretanto, em última análise, a providência decisiva pertence a nós mesmos.

Ninguém consegue penetrar nos redutos de nossa alma, a fim de guarnece-la com barricadas e trancas.
Queiramos ou não, somos senhores de nosso reino mental. Por muito nos achemos hoje encarcerados, do ponto de vista de superfície, nas conseqüências do passado, pelas ações infelizes em nossa estrada de ontem, somos livres, na esfera íntima, para controlar e educar o nosso modo de ser. Não nos esqueçamos de que fomos colocados, no campo da vida, com o objetivo supremo de nosso rendimento máximo para o bem comum.

Saibamos enfrentar os nossos problemas como sejam e como venham, opondo-lhes as faculdades de trabalho e de estudo que somos portadores. Nem explosão pelas tempestades magnéticas da cólera e nem fuga pela tangente do desculpismo.

Conter-nos. Governar-nos. Aqui e além, estamos chamados a conviver com os outros, mas viveremos em nós estruturando os próprios destinos, na pauta de nossa vontade, porque a vida, em nome de Deus, criou em cada um de nós um mundo por si.

(Do livro “Encontro Marcado”, pelo Espírito Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O Dia das Mães através dos tempos

O Dia das Mães foi ontem, mas, este texto publicado no Mulher 7 X 7está excelente e eu não poderia deixar de compartilhar com vocês. 
 Você vai conhecer agora, a verdadeira história do Dia das Mães, numa versão não autorizada e baseada em fatos surreais, a roteirista Claudia Valli, nos presenteia com um texto cheio de humor.

Tudo começou no Jardim do Éden, quando Deus disse à Eva:
- Parirás com dor e comemorarás o Dia das Mães ralando à beira de um fogão ou numa fila de churrascaria rodízio, debaixo de sol forte, rodeada por crianças pentelhas e sem limite. Ganharás de presente jogos de panela, máquinas de costura, aspiradores de pó, lavadoras, secadoras e muitos panos de prato bordados.
A praga estava lançada. E praga de pai pega. Principalmente se tratando d´O PAI.
De lá pra cá não podia mesmo ser diferente. As mães estavam predestinadas à ralação eterna.
Na pré-história, por exemplo, os filhos costumavam fazer uma corrida de mães arrastadas para homenagear suas genitoras. A idéia era simples e muito econômica: cada filho pegava sua mãe pelos cabelos e saía arrastando. Quem chegasse primeiro na caverna ganhava um javali recém caçado para a mãe arrastada preparar para o almoço, por mais dor de cabeça que ela estivesse sentindo.
N Grécia Antiga, celebrava-se a maternidade festejando Rhea, a mãe de todos os deuses. Como os gregos têm uma mania extravagante de sair quebrando pratos, o chão ficava uma porcalhada só. Adivinha quem ficava limpando aquele caos enquanto os filhos iam se entupir de vinho em homenagem a Dionísio? As mães, claro, enquanto pensavam: “Por que não me levaram pra assistir a uma tragédia no teatro? Estão apresentando Medéia, minha favorita…”.
Em Roma, a festança era dedicada a Cibele (a mãe dos deuses de lá). A esbórnia durava três dias, uma verdadeira festa rave, onde as genitoras ralavam como escravas celtas, num evento que recebia o sugestivo nome de “Hilária”. Hilária porque devia ser mesmo muito hilário para os filhos assistirem às mães se desdobrando para alimentar aqueles romanos insaciáveis por pão e circo. Era mais divertido do que luta de gladiador no Coliseu.
Na Idade Média, como todo mundo sabe, só havia quatro classes sociais: os nobres, o clero, os servos e as mães. Os nobres combatiam, o clero rezava, os servos trabalhavam e as mães faziam tudo isso e ainda se estressavam porque os feudos estavam sempre uma zona. Nessa época, o riso era combatido com veemência. Isso pelo menos garantia às mães que ninguém ia rir da cara delas caso pedissem alguma homenagem especial. Até porque ninguém comemorava nada. Só havia duas festas nesse período: a dos Loucos e a do Asno. As mães precisavam decidir com qual se identificavam mais e entrar de cabeça. Era uma dúvida atroz.
No séc. XVI, na Inglaterra, comemorava-se o Domingo da Maternidade, quando as servas, que trabalhavam (sem folga) para a população rica, tinham direito de ir para suas casas e passar o dia com sua mães. Chegando lá, elas encontravam as pobres coitadas no fogão preparando o tradicional “mothering cake”, um bolo que dava um trabalhão do cacete pra ser feito. Sensibilizadas, as moças acabavam ajudando suas mães e assim, ninguém tinha folga. Era uma alegria.
Em 1914, nos EUA, o Presidente Wilson proclamou o feriado do Dia das Mães, pasme… num domingo! Cá pra nós, se era pra ser num domingo, não precisava ser feriado, concorda? Não há dúvida de que isso foi sacanagem pra não liberar um dia útil pras pobres coitadas.
Nos anos 60, os filhos começaram a questionar essa coisa de família, preferindo se mandar para festivais de sexo, drogas e rock´n´roll. Isso deixava as mães preocupadíssimas com seus rebentos que, além de tarados e drogados, podiam ficar parecidos com o Serguei.
Hoje em dia, alguns rituais populares se firmaram como a mais perfeita tradução do Dia das Mães. São eles: o ritual dos engarrafamentos nas entradas dos shoppings, o ritual das filas nos caixas das lojas e o ritual da espera nas portas dos restaurantes a quilo ou das churrascarias rodízio. Sem excluir, é claro, o ritual do almoço em família preparado pela própria homenageada, que permanece até hoje. Apesar de alguns protestos feministas.
É importante destacar também uma nova tendência que está surgindo: alguns filhos estão optando por presentear suas mães no Dia das Bruxas. Eles devem ter lá seus motivos.
Mas conhecer as verdadeiras origens dessa data destinada a nós, mães, e aos comerciantes (não necessariamente nessa ordem), não muda a nossa forma de encará-la. Pois basta receber um desenhinho tosco, uma toalhinha de lavabo com a mãozinha do filho pintada, um bilhetinho carinhoso ou simplesmente ouvir a frase “Mamãe eu te amo” e pronto. Está feito o estrago. Murmuramos um emocionado “Ai, que fofo”, deixamos uma lágrima escorrer, nos tornamos a mulher mais feliz do mundo e estamos prontas para organizar o melhor almoço do ano ou para nos lançar heroicamente na primeira fila de churrascaria que aparecer.
Por tudo isso, Feliz Dia das Mães para todas nós!


domingo, 13 de maio de 2012

Dia das Mães


Eu já disse neste espaço o que acho destas datas como Natal, Dia Internacional da Mulher, Dia dos Pais e agora falo sobre o Dia das Mães. Quando eu era criança ficava muito triste nestas datas porque não entendia a razão de uns ganharem presentes outros não. Meu pai não tinha uma "boa" condição financeira, mas, não nos deixava faltar o essencial. Alimento, roupa, calçado, escola, tínhamos o necessário. Mas, essa coisa de presente nestas datas, não tinha. Para que entendêssemos a situação ele nos contou logo que Papai Noel não existe, que na verdade são os pais das crianças que atendem seus pedidos. Na sua sabedoria ele nos mostrou que tudo não passava de apelo comercial e não deixava que a gente considerasse injusto umas crianças serem presenteadas e outras não.
            No dia das mães não era diferente. Mas, minha mãe para que não ficássemos de fora da festa da escola, ela mesma providenciava os presentes para que participássemos das comemorações. Eu cresci, me tornei mãe, avó, e meu conceito sobre estas datas é o mesmo. Não passam de datas comerciais. O verdadeiro sentimento nem sempre existe. Não faz diferença pra mim se ganhar ou não um presente neste dia. Eu sinto mais prazer em ser presenteada em uma data qualquer. Quando um filho ou meu marido me oferecem uma flor em um dia qualquer, fico radiante. E para expressar melhor o meu sentimento em relação ao Dia das Mães, transcrevo o texto de Leda Marques Bighetti.

"Refletindo sobre o fato, perguntaríamos: Como surgiu o "Dia das Mães ? Qual seu verdadeiro sentido? Atinge objetivos ?"
      Certo dia em 1864, em Grafton, Virginia Ocidental, nasce e cresce uma bela menina ruiva de nome Anna Jarvis. Passam-se os anos, e ao sair da Faculdade Mary Baldwin, dedica-se ao magistério. Sua Mãe, viúva, possuía boa situação financeira. A vida era tranquila para Anna e Elsinore, sua irmã cega. Alguns anos transcorrem, e as três mudam-se para Filadélfia. Anna emprega-se como assistente do departamento de publicidade de uma companhia de seguros. Assim vive dos vinte aos quarenta anos. Em 1905, a Sra. Jarvis morre. Anna vive momentos de indescritível dor que marcarão uma nova etapa em sua vida.
      Estando com quarenta anos, era dona de uma bela casa, tutora da irmã e principal beneficiária da herança materna.
      Na saudade da presença materna, uma ideia se forma em seu espírito: instituir um dia consagrado especialmente às mães.
      Em conversa com o prefeito Reyburn, de Filadélfia, sugere-lhe a ideia, insistindo em um ponto que seria inquestionável  -  a homenagem envolveria as mães vivas e também aquelas que já tivessem morrido. Seria um dia dedicado ao sentimento, ternura, devoção, lembranças, convívio alegre, diálogos, reencontros, afetos sem fim. Quem quisesse, ofereceria uma flor. Ela, prestaria sua homenagem, com um cravo branco, flor predileta de sua mãe.
      Nesse pensar, faz de sua casa, um centro de campanha das mais estranhas e eficientes que se tem notícia: - escreve cartas e mais cartas a governadores, congressistas, industriais, clubes femininos, enfim a qualquer um que pudesse exercer influência.
      Respostas chegaram com tal intensidade, demandavam tanta correspondência, que Anna deixa o emprego, para dedicar-se inteiramente à campanha.
      Tornando-se pequena, sua casa, agora transformada em escritório, compra a casa vizinha. Chegam convites para visitar cidades, falar em organizações. Escreve, imprime folhetos distribuindo-os gratuitamente. Essas atividades consumiram grande parte de sua fortuna, mas Anna não permite que isso a preocupe. Continua a escrever, viajar, fazer conferências. Em 1814, sua eloquência convence o Deputado J. Thomas Heflin, do Alabama e o Senador Morris Sheppard, do Texas, a presentearem, em conjunto, uma proposta para que em toda nação americana, o " Dia das Mães ", fosse instituído. Aprovado pelas duas casas do Congresso, o grande momento chega, quando o Presidente Woodrow Wilson, assina proclamação na qual recomenda que o segundo domingo de maio ( aniversário da morte da mãe de Anna ), fosse, no país inteiro um dia em homenagem à todas as mães.
      Anna não descansa   -   era preciso conquistar o mundo... prossegue nas correspondência, discursos, conferências, folhetos de exortação, viagens, encontros, agora, em escala internacional. Esse esforço é notavelmente bem sucedido, e, ainda em vida, acompanha quarenta e três países adotarem o " Dia das Mães ", entre eles o Brasil, quando a 5 de maio de 1932, o então chefe do governo provisório, Getúlio Vargas, pelo decreto 21.366 instituiu o segundo domingo de maio como o " Dia das Mães ".
      A satisfação, o triunfo de Anna Jarvis, em breve, tornava-se-lhe grande frustração que a fez escrever desesperada a centena de jornais buscando esclarecer, despertar, refletir:"- " Estão comercializando o "Dia das Mães". Não era isso que eu pretendia. Não era esse o objetivo, a idéia. A festa é do sentimento... não pode, não deve haver diferenças entre a homenagem `mãe pobre e a festa da mãe rica...A expressão é o afeto, o coração a vibrar amor...."
      Nesse afã, em 1925, entra decidida em um hotel na Filadélfia. Encaminha-se em direção a um grupo da Associação de Mães de Veteranos de Guerra, reunidas em convenção e cnsura-as duramente, denunciando-as por venderem a preços extorsivos, cravos brancos, com os quais homenargear-se-iam mães. Tentaram em vão imterrompe-la. Obstinada, o policial chamado a prende sob acusação de pertubar a ordem.
      Esclarecidos os fatos, o juiz a liberta. Dias após, um repórter, visita-a em sua casa, à Rua 12 Norte Filadélfia. A bela mulher de cabelos brancos, sessenta anos, sentada na cadeira de espaldar alto, detém absorta, o olhar no retrato de sua mãe.
      O jornalista pergunta-lhe:
      - Porque a senhora não desiste ? Está lutando sózinha contra o mundo ! Deveria orgulhar-se por ser a criadora do " Dia das Mães "...
      Transformando-o num comércio sórdido, responde. Estou tentando, de todas as maneiras, que o " Dia das Mães ", seja aviltado por certa classe de indivíduos e organizações que vêm nele um meio de ganhar dinheiro. " Dia das Mães ", é dia de sentimento, não d diferenças, preocupações, dívidas, lucros !
      Prossegue na luta. Inesperadamente ve-se pobre e só. Apaga-se seu belo sorriso. Recolhe-se à sua casa na Rua 12 Norte Leva Elsinore pela mão e fecha com firmeza a porta às suas costas. Dai para frente, recusou-se a receber quem quer que fosse, lamentando ter criado o " Dia das Mães ".
      Não muito tempo se passa, e, exausta, agonizante, Anna Jarvis é levada para o Sanatório da Praça Marshal, na cidade de West Chester, Pensilvânia, onde morre.
      Wallace Leal V. Rodrigues, conta que nas páginas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, que ele compilava, Anna Jarvis, pedia-lhe que se restabelecesse o espírito abastardo do " Dia das Mães "e pergunta:  -  " É uma maldição que os homens mercadejem com tudo quanto é belo, santo e puro ? Por favor, peça aos espíritas, que conjuntamente ao Natal, retirem o " Dia das Mães " dos balcões e caixas registradoras. Enfeitem-nos de Bondade e Alegria: contabilizem-no no coração ! Eles podem fazer isto ! "
      A reflexão profunda está passada no convite à ternura plena, a ser oferecida à mãe pobre, à mãe rica, casada, solteira, jovem ou não, em pérolas de gratidão iluminadas pelas orações que se oferecem a Deus, pela felicidade de cada uma delas onde... " o próprio coração lhe é ofertado por dádiva sincera num ramalhete de amor !"

      Bibliografia
            "Mãe - Antologia Mediúnica"
            Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

O lado bom do perdão


 "Se guardar mágoas e alimentar sentimentos de vingança permitem ilusões como a de que somos perfeitos, perdoar leva à libertação"
 

Todos fomos machucados na vida. Todos fomos rejeitados por um amante, traídos por um amigo, passados para trás numa promoção. Apesar de aprendermos que "perdoar é esquecer" ("o que passou, passou"), a maioria de nós acredita que as pessoas que nos feriram devem pagar pela dor que nos causaram; afinal, elas merecem ser castigadas, mesmo que inconscientemente ("nada como um dia atrás do outro" ou "um dia a pessoa vai ver o que perdeu").

Não se trata de esquecer a maldade alheia ou minimizar o próprio sofrimento. Para ser capaz de um perdão verdadeiro e sadio basta entender que ele traz muito mais benefícios do que o rancor.

Na verdade, temos muito o que aprender com essas experiências. Em primeiro lugar, perdoar não é retaliar, se vingar ou fazer o outro sofrer tanto quanto nos fez sofrer. Mas, por outro lado, perdoar não é esquecer, deixar para trás quilômetros de mágoa, toneladas de ressentimentos ou ainda fechar os olhos e deixar os "bandidos" se darem bem com as trapaças que cometeram.

Quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, não estamos dizendo que o que foi feito contra nós não teve importância ("não foi nada") ou não deixou marcas profundas (aquelas a ferro e fogo). Essas perdas foram terríveis e fizeram grande diferença em nossa vida, mas nos ensinaram muitas coisas: tanto a não nos tornarmos vítimas novamente, como não fazermos o mesmo para terceiros.

De fato, algumas pessoas perdoam, outras não, outras estão tentando. Porém, fingir que perdoamos, ranger os dentes, engolir em seco, não é perdoar. Os terapeutas americanos Sidnei e Suzanne Simon, em seu livro Forgiveness, explicam o que significa perdoar e não perdoar. Começam dizendo que não perdoar tem certas vantagens porque nos dá algumas ilusões.

A primeira, e mais comum, é a ilusão de que, se aquele problema não tivesse acontecido, nossa vida seria perfeita. Só bastaria que as coisas tivessem sido diferentes e não tivéssemos sido machucados naquela época e pela pessoa que nos machucou; agora, estaríamos "numa boa". Mas, como aquilo aconteceu, temos a explicação ideal, a desculpa perfeita para estarmos e ficarmos na pior ( a responsabilidade da nossa infelicidade é sempre do "outro").

Em segundo lugar, não perdoar nos dá ilusão de sermos perfeitos. Os maus, os bandidos, são os que nos machucaram, e se nós os perdoarmos nunca mais poderemos dividir o mundo ao meio, todos os mocinhos de um lado e todos os bandidos de outro. Vamos ter de aceitar que as pessoas são "híbridas", potencialmente boas e más. Tanto os outros quanto nós mesmos.

Não perdoar também nos dá a ilusão de força, de poder ("agora eu controlo"). Não perdoar ajuda a compensar a sensação de falta de poder que nós sentimos quando fomos machucados. De fato, se trancarmos na prisão de nossa mente essas pessoas que nos machucaram, vamos nos sentir onipotentes ("agora é minha vez") pela força do nosso ódio silencioso.

E, por último, não perdoar nos dá a ilusão de que não seremos machucados outra vez. Mantendo a dor viva, os olhos bem abertos para qualquer perigo em potencial, reduzimos o risco de voltamos a sofrer rejeição, traição ou qualquer outra forma de ferimento.

Mas será que os benefícios de não perdoar valem o preço que pagamos por armazenar essas mágoas, remoer esses sentimentos e nos agarrarmos com unhas e dentes à dor do passado? Será que vale a pena continuarmos alimentando a raiva, revidando com palavras ou com silêncio e assim nunca sentirmos o verdadeiro prazer de viver?

O perdão se torna uma possibilidade quando a dor do passado para de reger nossas vidas; quando não precisarmos mais do ódio e do ressentimento como desculpas para obter menos da vida do que queremos ou merecemos. Perdoar é chegar à conclusão de que já odiamos bastante e não queremos odiar mais; portanto, perdoar é usar a energia da vida, não para reprimir esses sentimentos, mas para quebrar o ciclo da dor se voltando para o futuro e não machucando outras pessoas como fomos machucados.

Há quem diga que perdoar é escolher entre se vingar e se aproximar, entre ser vítima ou sobrevivente. Na realidade, perdoar é um processo que vem de dentro. É uma libertação. Uma aceitação. Perdoar é aceitar que a coisas ruins podem e de fato acontecem na vida das pessoas, e que as pessoas mesmo quando amam, se machucam. Perdoar é um sentimento de bem-estar, é reconhecer que existe algo melhor que queremos fazer com a energia da vida e fazê-lo.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Acordemos

É sempre fácil examinar as consciências alheias, identificar os erros do próximo, opinar em questões que não nos dizem respeito, indicar as fraquezas dos semelhantes, educar os filhos dos vizinhos, reprovar as deficiências dos companheiros, corrigir os defeitos dos outros, aconselhar o caminho reto a quem passa, receitar paciência a quem sofre e retificar as más qualidades de quem segue conosco...
Mas enquanto nos distraimos, em tais incursões a distância de nós mesmos, não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.
Enquanto nos ausentamos do estudo de nossas próprias necessidades, olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva, somos simplesmente cegos do mundo interior relegados à treva...
Despertemos, a nós mesmos, acordemos nossas energias mais profundas para que o ensinamento do Cristo não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida, porque o infortúnio maior de todos para a nossa alma eterna é aquele que nos infelicita quando a graça do Alto passa por nós em vão!...

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Caridade.
Ditado pelo Espírito André Luiz.

terça-feira, 8 de maio de 2012

''FERIDAS DA ALMA ''


Feridas na alma são aquelas que doem mesmo quando não vemos mais o machucado; quando o que causou a ferida não está mais presente e, portanto, no silêncio da noite voltam e incomodam.
Às vezes impedem o sono. E doem... dói o peito, doem os olhos, dói o coração...
São aquelas causadas na infância por abusos, desamor, indiferenças, incompreensão. Ou causadas pela perda irreparável de alguém que era especial na vida da gente. Ou pela mágoa causada por traições de pessoas nas quais depositávamos toda a nossa confiança.
Todos os anos possíveis gastos em terapia podem até amenizar o sentimento doloroso, mas não apagar. O tempo também não apaga. Mesmo se a memória procura mil facetas de “esquecer”, há sempre aquele dia em que um fato ou qualquer outra coisa pode trazer tudo à tona.
Infelizmente, as centenas de mensagens de auto-ajuda também não conseguem curar esse tipo de doença que consome a alma. Remédios são inúteis, quando não prejudiciais mesmo.
E então? Estamos condenados a viver o resto das nossas vidas carregando essa “bola” acorrentada nos pés, como prisioneiros condenados?
Não necessariamente...
O primeiro grande passo é a vontade de se curar. Sem isso, nada feito. Ninguém pode fazer por nós o que não desejamos nós mesmos.
Sabe-se que mesmo fisicamente uma pessoa não pode curar-se sem que haja uma íntima vontade e desejo de se estar curado. Não são os médicos que fazem milagres, eles fazem a parte deles.
Mas o maior trabalho fica por conta da própria pessoa.
Depois... só há um meio de apagar essas cicatrizes que se abrem com frequência: entregar, inteiramente, nossos males nas mãos dAquele que “verdadeiramente tomou sobre si todas as nossas dores”.
Ainda assim não é fácil, pois para entregarmos é necessário tirar uma parte da gente e se desligar dela. E o ser humano não está preparado para isso. Não que ele não queira, mas porque não é mesmo fácil.
É necessário uma enorme força de vontade e um amor profundo por si mesmo e por aqueles que nos amam e querem que estejamos bem.
É necessário tentar esquecer uma página do livro da própria vida, rasgá-la, queimá-la. E depois, é preciso aprender a viver sem essa parte, viver uma vida nova e diferente.
É realmente difícil... mas possível! E possível somente se a própria pessoa se dispõe a isso. É algo pessoal, muito pessoal... pessoal, entre Deus e nós... (Leticia Thompson)

sábado, 5 de maio de 2012

A colheita da vida

Somos agricultores da vida, a princípio vemos a imensidão da terra que temos que cuidar, ficamos olhando e sentindo o quanto teremos que trabalhar diante desta terra.

Muitos de nós não queremos o trabalho de sol a sol, então nos contentamos em apenas jogar algumas sementes ao solo e deixa-las lá.

E desta forma achamos que mais tarde poderemos voltar e fazer uma colheita com muitos frutos.

Mas quando voltarmos para nossa colheita, seremos surpreendidos pelo solo seco e sem nenhum fruto a ser colhido, porque não fizemos o nosso trabalho como deveríamos ter feito.

Por isso, diante do solo e da responsabilidade de cultivarmos este solo, devemos ter a capacidade de semear e cuidar da nossa lavoura, porque desta forma quando voltarmos para a colheita poderemos vivenciar a benção de ter feito o nosso trabalho como agricultores responsáveis que devemos ser.

Encontraremos frutos sólidos e fortalecidos, porque fizemos com responsabilidade a nossa parte no solo da vida; e assim a colheita que teremos nos dará novas sementes para podermos cultivar e cuidar, para que novos frutos possam ser colhidos e distribuídos mais adiante.

Faça o cultivo de sua vida com responsabilidade e dedicação, para que quando voltares para a colheita não seja surpreendido pelo solo infértil e doente pela falta de responsabilidade pelo trabalho da vida.
(Desconheço o autor)

terça-feira, 1 de maio de 2012

"PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS..."

Quando pronunciamos as palavras “perdoa as nossas dividas, assim como perdoamos aos nossos devedores”, não apenas estamos à espera do benefício para o nosso coração e para a nossa consciência, mas estamos igualmente assumindo o compromisso de desculpar os que nos ofendem.
Todos  possuímos a tendência de observar com evasivas os grandes defeitos que existem em nós, reprovando, entretanto, sem exame, pequeninas faltas alheias.
Por isso mesmo Jesus, em nos ensinando a orar, recomendou-nos esquecer qualquer mágoa que alguém nos tenha causado.
Se não oferecermos repouso à mente do próximo, como poderemos aguardar o descanso para  os nossos, pensamentos?
Será justo conservar todo o pão, em nossa casa, deixando a fome aniquilar a residência do vizinho?
A paz é também alimento da alma, e, se desejamos tranqüilidade para nós, não nos esqueçamos do entendimento e da harmonia que devemos aos demais.
Quando pedirmos a tolerância do Pai Celeste em nosso favor, lembremo-nos também de ajudar aos outros com a nossa tolerância.
Auxiliemos sempre.
Se o Senhor pode suportar-nos e perdoar-nos, concedendo-nos constantemente novas e abençoadas oportunidades de retificação, aprendamos, igualmente, a espalhar a compreensão e o amor, em benefício dos que nos cercam. 
Francisco Cândido Xavier.  Pelo Espírito Meimei.

domingo, 29 de abril de 2012

Roberto Carlos - A Namorada

                                        Porque domingo é dia de Nostalgia, de declaração de amor... uma das preferidas do meu maridão...