quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ponto negro



Conta-se que um professor preparou sua aula estendendo um grande lençol branco numa das paredes da sala.
Na medida em que os alunos iam entrando, tinham sua curiosidade despertada por aquele objeto estranho estendido bem à sua frente.
O professor iniciou a aula perguntando a todos o que viam. O primeiro que se manifestou disse que via um pontinho negro, no que foi seguido pelos demais. Todos conseguiram ver o pontinho negro que fora colocado, de propósito, no centro do lençol branco.

Depois de perguntar a todos se o ponto negro era a única coisa que viam, e ouvir a resposta afirmativa, o professor lançou outra questão:

Vocês não estão vendo todo o resto do lençol? Vocês conseguem somente ver o pequeno ponto preto e não percebem a parte branca, que é muito mais extensa?

Naquele momento os alunos entenderam o propósito da aula: ensinar a ampliar e educar a visão, para perceber melhor o conjunto e não ficar atento somente aos pormenores ou às coisas negativas.

Essa é, na maior parte das vezes, a nossa forma de ver as pessoas e situações que nos rodeiam.
 
Costumamos dar um peso exagerado às coisas ruins e pouca importância ao que se realiza de bom.
Se um amigo sempre nos trata com cortesia, com afabilidade e atenção e, num determinado momento, nos trata de maneira áspera, pronto. Tudo o que ele fez até então cai por terra. Já nos indignamos e o conceito que tínhamos dele até então, muda totalmente.
É como se nossos olhos só pudessem ver o pequeno ponto negro.
Não levamos em conta a possibilidade de nosso amigo ou amiga estar precisando da nossa ajuda. Não nos damos conta de que talvez esteja com dificuldades e por isso nos tratou de forma diferente.
Temos sido tão exigentes com os outros!
Mas, se somos nós que estamos indispostos, todos têm que suportar nosso mau-humor, nossa falta de cortesia.
Um casal completava seus 60 anos de matrimônio, e uma das netas perguntou à avó: Vózinha, como é que a senhora aguentou o vovô até hoje? Ele é uma pessoa muito difícil de tolerar.
 
A vovó, com um sorriso de serenidade respondeu à neta:
É simples, minha filha. Eu sempre tive comigo uma balança imaginária. Colocava num dos pratos as coisas ruins que seu avô fazia. No outro prato da balança eu depositava as coisas boas. E o prato sempre pendia para o lado das coisas boas.
Nós também fazemos uso da balança imaginária. Mas, muitas vezes, o peso que atribuímos às coisas ruins é desproporcional e a balança tende a pender mais para esse lado.
Vez por outra é importante que façamos uma aferição na nossa balança, para verificar se ela não está desregulada, pendendo muito para o lado dos equívocos.
Saibamos valorizar as boas ações.
Não façamos como os alunos, que só viam o ponto negro no centro de um enorme lençol branco.
Eduquemos a nossa visão para perceber melhor as coisas boas da vida. Desenvolvamos a nossa capacidade de ver e valorizar tudo o que nos acontece de bom.
 
* * *
Os benfeitores da Humanidade recomendam que sejamos severos para conosco mesmos e indulgentes para com nosso próximo.
Contrariando tal recomendação, a maior parte das vezes somos indulgentes para conosco e muito severos para com os equívocos alheios.
Vale a pena meditar nos ensinos que nos chegam do Alto. Vale a pena que exercitemos o perdão aos semelhantes. E vale também a pena que sejamos mais exigentes conosco, buscando sempre melhorar nosso comportamento.

Redação do Momento Espírita

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Mandamento Maior



Tomamos conhecimento através de leitura em revistas especializadas, que “a informação científica tem sido um dos insumos básicos para o desenvolvimento científico e tecnológico de uma nação. No atual momento vivenciado pela sociedade contemporânea há um reconhecimento que a ciência, tecnologia e inovação constituem-se fatores diferenciadores do desenvolvimento social e econômico de países e regiões” (Rocha & Ferreira, 2004).

Nos dias atuais o homem já conta, entre outras coisas, com a cirurgia virtual, investigações com células-mãe, robótica, telefones por internet, televisões de plasma, viagens espaciais, prevendo-se para o futuro, computador de DNA, base permanente na Lua, energia limpa, missão tripulada para Marte, cura do câncer, transplante de cabeça, viagem para o centro da Terra, etc., etc... E tudo isto em pouco mais de 130 anos, já que no inicio do século passado, o homem ainda precisava da tração animal para se locomover, a lâmpada elétrica de Edison, apareceu no ano de 1879, e que a viagem inaugural do “14-Bis” aconteceu em setembro de 1906.

Entretanto, neste mesmo curto período, o homem já conviveu com duas grandes guerras e outras regionais, que levaram dor e lágrimas para milhões, o que nos leva a concordar que o avanço cientifico e tecnológico não foi acompanhado pelo indispensável avanço moral e espiritual. E é por esta razão que a Espiritualidade Maior vem nos advertindo (1): “Iluminemos o raciocínio sem descurar o sentimento”. Sem isto, o homem continuará a monumentalizar cidades importantes e a estabelecer engenhos para destruí-las; levantar embarcações que se alteiam como sendo palácios flutuantes e a criar o torpedo que as põe a pique; asas metálicas poderosas que, em tempo breve, transportam o homem, através de todos os continentes e aprumar os bombardeiros para destruir suas casas; alçar a cirurgia às inesperadas culminâncias e aprimorar as técnicas do aborto; realizar incursões a pleno espaço, examinando do alto os processos mais seguros para efetuar aniquilamentos em massa pelo foguete balístico.

“A intelectualidade requintada entretece lauréis à civilização, mas, por si só, não conseguiu, até hoje, frenar o poder das trevas”. Por insto é que Jesus colocou como primeiro ensinamento: “Espíritas, amai-vos!”.

(1) Emmanuel – “Livro da Esperança”.
 
Editor - O mensageiro - agosto 2012

Renato Russo- Pai Nosso.wmv

Tem gente que casa como compra apartamento: já pensando na reforma

Muitas vezes os problemas de relacionamento estão na origem: planta-se uma determinada semente, mas espera-se que cresça um outro tipo de árvore. É o assunto do post da professora e psicóloga carioca Mônica El Bayeh, em Mulher 7 X 7.

Construir um pomar é transformar terra em sabor. Escolher as sementes já com a água na boca do que se espera colher no futuro. Quem planta conta com a colheita. É fato. Espera um retorno.
Quando escolhemos um parceiro, estamos determinando uma parte do sabor do nosso pomar. Mas, inexplicavelmente, tem plantador que compra sementes de limão, na esperança de colher laranja lima. Não é que tenha comprado enganado. Apenas acha que, com o tempo, o sabor vai mudar. Planta seus limões bem feliz. Depois se espanta com o resultado da colheita. Estranha o azedume, faz cara feia. Não escolheu o limão? Esperava o que?
Vejo acontecer no consultório.  As pessoas escolhem o parceiro como se procurassem apartamento.  Já compram contando com a reforma.  A pessoa é daquele jeito.  Aceitou ou não aceitou?
Aceitam ficar com um coqueiro e passam a vida reclamando porque ele não dá manga.  O que poderia ser doce sabor é provado como água salobra.
Todos nós temos alguma coisa para dar.  Assim é também com o limão.  Limão é boa fruta.  Mas não é uma laranja lima. Nunca será. Faz limonada, caipirinha.  É rico em vitamina C.  Inigualável como tempero. Possui várias finalidades.  Tem seu próprio sabor, e pode ser ótimo.  Mas uma triste sequência de sustos e desilusões entre o que se planta e o que se espera colher desqualifica o limão, o reduz a zero.
É preciso saber receber, validar, reconhecer o valor do parceiro que está ao seu lado.  Cada um é único.  Com seus defeitos e qualidades.
Com famílias e casais muitas vezes esse mal entendido é o início do fim.
Esperar que o outro seja diferente de sua essência inviabiliza qualquer relação.  Mina a parceria.  Cria pequenas rachaduras, discretas infiltrações que vão aparecendo aqui e ali nas cobranças diárias.  Muitas vezes se acha mais prático nem notar, fingir que não vê.  Mas elas estão ali.  E tendem a aumentar.
A dinâmica é essa.  Um demonstra seu carinho, mas não exatamente da forma esperada pelo outro.  Então não é bem recebido.  Esse tipo de expectativa vai cavando um abismo entre as pessoas.  Reclamam as que presenteiam, porque se entregaram e não foram bem aceitas na forma como o fizeram.  As que recebem, porque não reconhecem como presente aquilo que lhes foi dado.  E continuam na falta, ressentidas, distantes.  Muitos relacionamentos se desfazem assim. Fica cada um de um lado, ferido, magoado.  Como se falassem línguas distintas, vão interrompendo a comunicação do amor.  O que era para ser um pomar vira terreno baldio.
A relação vai se desfazendo ponto por ponto como uma trama de tricô rasgada.  Um bordado que vai soltando a linha e desfazendo seu desenho original.  O que era figura, agora se desfigura.  O amor vai saindo aos poucos, pela porta da frente.  Sem que nada seja feito ou percebido.  Quando a porta bate, a ficha cai. 
Mas, aí já foi.  Muitas vezes, é tarde demais.
Relação é parceria.  Cada um dá o que pode, o que tem. Cada um de uma forma própria saberá de falar do seu amor.  Porque amor é rio, tem que desembocar em algum lugar.  Onde?  É preciso boa vontade em descobrir, mapear seus afluentes.  Em vez de ficar esperando que venha só como a gente quer receber.  Ou se fechar na espera vã de que o outro adivinhe nosso desejo.  É preciso saber qual é a forma que cada um tem de demonstrar o que sente.
Plantação depende de boa parceria entre a terra e a semente.  Que a terra se deixe fecundar.  Que a semente confie para se abrir. Relacionamento é assim.  É cuidado, investimento, coragem e paciência no tempo que leva para brotar.
Relação é bumerangue.  O que você recebe é o retorno do que cultivou.  É via de mão dupla.  O que vai, em algum momento volta.  É certo.
O pomar da vida funciona assim:  Plantou doce, tem doce.  Plantou cactos, tem espinho.  Plantou comigo ninguém pode, tem veneno.
Seu pomar é o espelho da alma.  Pense a respeito.  Que árvore você é?  O que você planta no seu jardim?

Deu branco

Este é um assunto que costuma povoar a mente de toda mulher. A grande maioria não consegue conviver bem com cabelos brancos. Eu brinco muito com este assunto e não me preocupo tanto, também aos 54 anos tenho ainda poucos fios brancos. Mas, acho que, pensando bem, a jornalista Ana Celia descreve bem esta situação. Pinta uma insegurança danada, sim. Mas, vamos ao texto de Ana.


Será que para assumir o grisalho a mulher tem que ser alta? Alta, descolada, rica, inteligente, bonita e ainda ter um algo a mais. Segundo o Murilo Souza, cabeleireiro do MG Hair, em São Paulo, nada de madeixas longas. Brancos pedem um corte curto, atual. Aí penso: meu Deus, eu não estou me vendo com esse visual.

 Não tenho a pinta da Meryl Streep, em “O Diabo Veste Prada” (foto abaixo) – e muito menos o poder da Christine Lagarde, diretora mundial do FMI (foto ao lado).


Melhor parar tudo. Deve ter algo de errado aqui. Esse tipo de insegurança deveria bater numa adolescente, não em uma mulher da minha idade que é dona do seu nariz e que não tem problemas com o seu corpo – não vamos falar dos pneuzinhos, ok? Pelo menos não dessa vez.

Voltando à minha vontade de arriscar uma “grisalourice”, resolvi consultar alguns especialistas no assunto para ver como fazer a passagem do momento tricolor para o gradual loiro grisalho. Em tempo, a cor natural dos meus cabelos é loiro escuro. Eis as opções:

a)   Fazer mechas mais escuras do que a coloração atual para que o cabelo vá voltando, aos poucos, à sua cor de origem. Passar henna na raiz. Se as madeixas desbotarem nas pontas, mais mechas serão aplicadas para ajudar a tapear o momento tricolor.

Depois dos óculos de grau na ponta do nariz para ler aquelas letras miúdas dos cardápios nos restaurantes, o que mais estava por vir?  Ele, claro, o cabelo branco na front, na minha front.
Toda vez que subo no elevador e me olho no espelho, percebo o quanto estou ficando tricolor. Não, não estou falando de time de futebol. Chego ao ponto de ficar com três cores no cabelo ao final do mês.
Quando li “Meus cabelos estão ficando brancos”  (Going Grey), da escritora americana Anne Kreamer, pensei que na minha hora ia ser mais fácil. Pura ilusão. Fui ficando cada vez mais loira, loira, até chegar nessa fase tricolor. E agora, o que eu faço?
Até os melhores cabeleireiros execram as mulheres que resolvem deixar à mostra seus fios brancos. Claro, ter a cliente assiduamente pagando pela coloração mensal é ganho certo.
Para quem imagina que só precisa assumir a cabeleira grisalha e o problema está automaticamente resolvido, ledo engano. Dá um trabalho danado. Vide os xampus, cremes e sei lá mais o quê que meu marido tem no box do banheiro. Ah, mas homem grisalho é outra história. Eles ficam charmosos, experientes, envolventes… Já eu, bem, ainda não estou tão certa.

Como ficarei com óculos de leitura, cabelos grisalhos e o aparelho móvel que comecei a usar para corrigir os dentes da frente depois dos 40 anos?
b)   Descolorir todo o cabelo e encarar o branco de uma vez só.
c)   Continuar tricolor e segurar a bucha!
 O que você faria no meu lugar?

Ana Celia Aschenbach - Mulher 7 X 7

domingo, 23 de setembro de 2012

Intolerância

Cristóvam Aguiar*   

Os muçulmanos estão irritados por conta de um filme veiculado na Internet por um americano, e algumas charges publicadas por uma revista francesa. Em ambos os casos o profeta Maomé, líder político e religioso do povo árabe, fundador do Islamismo, é ridicularizado. Isso despertou a fúria dos seus seguidores que pelo mundo inteiro passaram a atacar embaixadas (principalmente americanas) e matar pessoas. 
Pesquisas apontam que 80% das guerras em andamento no mundo atual, têm motivos religiosos ou financeiros. Observando a história verificamos que a religião sempre foi usada como escudo pelos senhores da guerra para esconder os seus verdadeiros interesses. Sempre se matou muito em nome de Deus.
         Eu entendo que fé é uma coisa muito intima em cada ser humano. A maior graça que o criador deu ao ser humano foi o livre arbítrio. Temos o direito de escolher o caminho que queremos seguir. Podemos até crer ou não em Deus. Podemos escolher qualquer religião também. Os Evangelhos cristãos relatam que Jesus enviou seus discípulos pelo mundo afora para anunciar a Boa Nova e buscar mais adeptos à nova religião que surgia, o Cristianismo. Mas não se tem notícia de que ele tenha dito que se deveria prender, arrebentar e matar quem não o aceitasse como o Messias.
         Esse é o problema com as religiões. Seus líderes em geral querem converter as pessoas através do uso da força e do terror. Quem não crê no seu Deus, no seu profeta, e não segue seus ensinamentos, é infiel e deve morrer. Eu acho muito engraçado quando alguém me diz que sua alma está salva porque pertence a tal religião, e que quem não seguir o mesmo caminho vai queimar no fogo eterno. Em geral são aquelas pessoas simples, que passam muito tempo nas igrejas resmungando preces mas sem ter a menor noção do que estão dizendo.
         Nos dias de hoje abrir uma igreja virou um grande negócio. E é fácil. Com menos de R$ 500 qualquer um pode dar entrada na papelada e fundar a sua igreja que é totalmente isenta de impostos, não presta conta ao governo de nada do que arrecada, compra produtos importados com isenção do IPI, os filhos do orientador espiritual estão desobrigados de prestar serviço militar, é uma baba. Negócio melhor não conheço. Basta ter algum conhecimento e conversa de camelô para ter sucesso na empresa.
         Eu não concordo com agressões em geral. Ninguém tem o direito de ridicularizar a fé alheia. Mas ninguém também tem o direito de sair matando pessoas inocentes porque algum idiota fez piadas de mau gosto. Que mal fizeram aquelas pessoas que trabalham nas embaixadas? Elas estão ali com a função de facilitar o intercambio entre países e, também, com a missão de proporcionar entendimento entre os povos.
         Como homem de fé, cristão, desperto, alijado de paixões e sectarismo, se alguém falar mal do Cristo na minha presença, no máximo poderei dizer: “Pai. Perdoa. Ele não sabe o que faz”!

*Cristóvam Aguiar é escritor, radialista e jornalista.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Oi Jesus, Eu Sou o Zé

Cada dia, ao meio dia, um pobre velho entrava na igreja e, poucos minutos depois, saía. Um dia, o sacristão lhe perguntou o que fazia, pois havia objetos de valor na igreja.
Venho rezar, respondeu o velho.
Mas é estranho, disse o sacristão, que você consiga rezar tão depressa.
Bem, retrucou o velho, eu não sei rezar aquelas orações compridas. Mas todo dia, ao meio dia, eu entro na igreja e falo:
"Oi Jesus, eu sou o Zé. Vim visitar você."
Num minuto, já estou de saída. É só uma oraçãozinha, mas tenho certeza que Ele me ouve.
Alguns dias depois, Zé sofreu um acidente e foi internado num hospital. Na enfermaria, passou a exercer grande influência sobre todos.
Os doentes mais tristes tornaram-se alegres e, naquele ambiente onde antes só se ouviam lamentos, agora muitos risos passaram a ser ouvidos.
Um dia, a freira responsável pela enfermaria aproximou-se do Zé e comentou: Os outros doentes dizem que você está sempre tão alegre, Zé...
O pobre enfermo respondeu prontamente: É verdade, irmã. Estou sempre muito alegre! E digo-lhe que é por causa daquela visita que recebo todos os dias. Ela me faz imensamente feliz.
A irmã ficou intrigada. Já tinha notado que a cadeira encostada na cama do Zé estava sempre vazia. Aquele velho era um solitário, sem ninguém.
Quem o visita? E a que horas? Perguntou-lhe.
Bem, irmã, todos os dias, ao meio dia, Ele vem ficar ao pé da cama por alguns minutos, talvez segundos... Quando olho para Ele, Ele sorri e me diz:
"Oi Zé, eu sou Jesus, vim te visitar".
* * *
A história é singela e seu autor é desconhecido.
No entanto, o ensinamento que contém nos faz refletir profundamente.
Fala-nos da fé, da simplicidade, da dedicação e da perseverança.
Quem de nós dispõe, como o Zé, diariamente, de alguns minutos para falar com Jesus?
Muitos ainda confundimos a oração com um amontoado de palavras que vão saindo da boca, destituídas de sentimento e de humildade.
Quantos de nós temos tal perseverança, tanto nas horas de alegria quanto nas de dor, para elevar o pensamento a Jesus, confiando-lhe a nossa intimidade, com a certeza de que Ele nos ouvirá?
A oração é uma ponte que se distende da alma opressa para que o alívio possa chegar.
É o fio misterioso, que nos coloca em comunhão com as esferas divinas.
É um bálsamo que cura nossas chagas interiores.
É um templo, em cuja doce intimidade encontraremos paz e refúgio.
Enfim, para as sombras da nossa alma, a oração será sempre libertadora alvorada, repleta de renovação e luz.
É importante que cultivemos a fé inabalável nas soberanas leis que regem a vida e das quais o Sublime Galileu nos trouxe notícias.
É preciso orar, ainda que a nossa oração seja singela, mas que seja movida pelo sentimento.
* * *
Orando, chegarás ao Senhor, que te deu, na prece, um meio seguro de comunicação com a infinita bondade de Deus, em cujo seio dessedentarás o Espírito aflito...

Redação do Momento Espírita

"A maior caridade que podemos fazer pela Doutrina Espírita é a sua divulgação." Chico Xavier - Emmanuel

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Inspiração do poeta

Conta-se que, num dia qualquer, o compositor Almir Sater estava em São Paulo para uma temporada. Em certo momento, desceu do seu apartamento para tomar um cafezinho num mercado ali perto.
Encontrou um amigo, que o convidou para experimentar uma viola que acabara de comprar. Enquanto tomavam café, Almir dedilhou a viola e soltou a voz:
Ando devagar... ao que o amigo emendou... porque já tive pressa.
Dizem que essa maravilha chamada Tocando em frente, ficou pronta em dez minutos. Um dia, alguém perguntou ao Almir como essa música fora feita e ele respondeu: Ela estava pronta. Deus apenas esperou que eu e o Renato nos encontrássemos para mostrá-la para nós.
Será verdade ou será mais uma dessas lendas que se inventam, a respeito de pessoas célebres e suas produções?
Lenda ou verdade, não importa. O que sabemos é que a inspiração existe e disso entendem muito bem os gênios de todos os matizes.
E a letra e música de Tocando em frente são uma joia rara.
Convidam-nos a parar em meio à correria, a viver com mais vagar, como a saborear cada momento.
Também nos recordam que, na vida, lágrimas e sorrisos se sucedem.
Assim dizem os versos:
Ando devagar porque já tive pressa.
E levo esse sorriso, porque já chorei demais.                                       
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe...
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei...
Há tanto para aprender. E quantos cremos ser superiores, por entendermos disso ou daquilo. E, contudo, quem verdadeiramente se dedica a aprender, descobre que quanto mais aprende, mais há a ser pesquisado, descoberto.
Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs.
O planeta Terra é o grande laboratório Divino em que provamos a dor, a alegria. Em que nos extasiamos ante a manhã que se espreguiça e nos encantamos com a riqueza das pessoas.
Cada uma com seu talento especial, sua forma de ser, de agir em nossas vidas.
E, neste planeta de provas e expiações, com quantas delícias nos agracia Deus. Sabores de frutas, consistências inúmeras.
É preciso tudo provar. Aprender a degustar, reconhecendo o sabor de cada fruta, do trigo transformado em pão, do grão triturado, moído, servido com aroma de café.
Mas é preciso o amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, continua cantando o inspirado poeta.
Sim, o amor nos é imprescindível porque fomos criados e somos mantidos pelo amor de Deus, trazendo essa essência Divina em nossa intimidade.
E somente sorri, num mundo de tanta perversidade ainda, quem já descobriu o segredo da vida na Terra, que se chama oportunidade e progresso.
Por isso, cada um de nós compõe a sua história. E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.
E, como todo mundo ama, todo mundo chora, não esqueçamos que um dia a gente chega, no outro vai embora.
A vida é transitória. Aproveitemo-la, ao máximo, vivendo com a família, os amigos. Produzindo na sociedade, deixando nossas marcas de luz para, como alguém já falou, quem venha atrás, possa dizer: Por aqui passou um ser iluminado. Uma estrela...

Redação do Momento Espírita.

Tocando em Frente - Almir Sater & Renato Teixeira

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A busca da consciência

A verdadeira busca espiritual é a busca pela consciência. Aprender é descobrir, perceber, significar, agir. Aprender é coordenar tudo que somos, de maneira saudável, gostosa e cheia de compreensão. É nascer e renascer continuamente.

A vida não vem pronta, somos todos aprendizes. Todos nós estamos aqui, aprendendo a ter domínio sobre nosso próprio poder. Aprendendo as leis que regem a vida, ampliando nossa consciência, aprendendo a viver com a realidade, abandonando as ilusões, as fantasias e os sonhos.

Muitas vezes, temos sentimentos dúbios em nós. Buscamos o equilíbrio, entre as forças contraditórias que travam uma luta em nosso interior. Às vezes, as pessoas me dizem: Sabe, minha alma me diz uma coisa e minha cabeça diz outra. E eu, fico pensando: Como será que ela sabe que é a alma que está dizendo, se ela não presta atenção nem no que sente? Parece-me muito mais que escutou o galo cantar, mas não sabe muito bem onde.

A ignorância daquilo que não sabemos pesa. Muitas vezes como culpa, muitas vezes como pretensão, muitas vezes com a nítida sensação de não haver saída. Uma sensação de impotência toma conta. Eu tinha de saber e não sei, mas como vou dizer para mim mesmo e para os outros que eu não sei? A sensação é de que o custo é alto demais para uma pessoa só.

Assim como não aprendemos a nadar lendo livros e escutando palestras, mas apenas mergulhando na piscina e seguindo passo a passo as instruções recebidas, treinando, disciplinando-nos, orientando nossos movimentos, ajustando nossa respiração, coordenando nossos braços e pernas - também é assim com a vida: aprendemos a viver, vivendo

Saltamos de um lado a outro, em diferentes matizes de luz e sombra. Saltamos entre os nossos ideais e a realidade à nossa volta. Saltamos em múltiplos estados de consciência. Movemos-nos entre o que pensamos e o que sentimos. Entre a imaginação e o fato em si. Tentamos dar forma ao que ainda não tem forma, mas o conteúdo do que chega transborda e temos a sensação de que não somos capazes de dar conta do recado, que as situações estão fora de controle, que as mudanças estão além de nossa capacidade. Não conseguimos fazer uma síntese, fazer uma ordenação racional, pois não é algo que se restringe ao intelecto.

Algo em nós emerge, talvez a alma, e nos fala confundindo nossas ideias mais racionais. O orgulho, a vaidade, nossos desejos e nosso perfeccionismo misturam-se a uma vontade de liberdade, a uma crença em algo bom e positivo, que, muitas vezes, também não sabemos se é espiritualidade ou vontade de poder.

Nesse momento, o que precisamos é de calma, paciência para conosco e dar-nos um tempo para a compreensão do processo. Imprescindível também entender a crise como uma oportunidade de crescimento, que faculta nos ver e ver a vida de modo diferente. É através do conhecimento de si mesmas que as pessoas adquirem uma nova compreensão da vida e dão a ela um novo sentido, pois amplificando a consciência, ampliam seus horizontes.

Afinal de contas, somos capazes de mudanças e recomeços. Somos capazes de criar e solucionar. Somos seres eternos, caminhando constantemente na direção do bem.

Por Lousanne Arnoldi De Lucca   
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