sexta-feira, 20 de julho de 2012

A carne é fraca


Quando alguém procura uma desculpa para justificar suas fraquezas, é comum ouvirmos a afirmativa de que a carne é fraca.
A culpa, portanto, é da carne, ou seja, do corpo físico.
Esse é um assunto que merece mais profundas reflexões.
Hahnemann, criador da Medicina Homeopática, fez a seguinte afirmativa:
O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?
Sábia consideração essa, pois encerra grandes verdades.
Culpar o corpo pelas nossas fraquezas equivaleria a culpar a roupa que estamos usando por um acesso de cólera.
Quando a boca de um guloso se enche de saliva diante de um prato apetitoso, não é a comida que excita o órgão do paladar, pois sequer está em contato com ele.
É o Espírito, cuja sensibilidade é despertada, que atua sobre aquele órgão através do pensamento.
Se uma pessoa sensível facilmente verte lágrimas, não é a abundância das lágrimas que dá a sensibilidade ao Espírito, mas precisamente a sensibilidade desse que provoca a secreção abundante das lágrimas.
Assim, um homem é músico não porque seu corpo seja propenso à musicalidade, mas porque seu Espírito é musicista.
Como podemos perceber, a ação do Espírito sobre o corpo físico é tão evidente que uma violenta comoção moral pode provocar desordens orgânicas.
Quando sofremos um susto, por exemplo, logo em seguida vem a sudorese, o tremor, a diarréia, etc.
Outras vezes, um acesso de ira pode provocar dor de cabeça, taquicardia, e até mesmo deixar manchas roxas pelo corpo.
Quanto às disposições para a preguiça, a sensualidade, a violência, a corrupção, igualmente não podem ser lançadas à conta da carne, pois são tendências radicadas no Espírito imortal.
Se assim não fosse, seria fácil, pois não teríamos nenhuma responsabilidade pelos nossos atos, desde que, uma vez enterrado o corpo, com ele sumiriam todas as fragilidades e os equívocos cometidos.
Toda responsabilidade moral dos atos da vida física competem ao Espírito imortal. Nem poderia ser diferente.
Assim, quanto mais esclarecido for o Espírito, menos desculpável se tornam as suas faltas, uma vez que, com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.
* * *
Todos nós, sem exceção, possuímos na intimidade a centelha divina, a força capaz de conter os impulsos negativos e fazer vibrar as emoções nobres que o Criador depositou em nós.
Fazendo pequenos esforços conquistaremos a verdadeira liberdade, a supremacia do Espírito sobre o corpo. E só então entenderemos porque Jesus afirmou: Vós sois deuses, podereis fazer o que Eu faço, e muito mais.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. VII do livro O céu e o inferno,
de Allan Kardec, ed. Feb e no livro Hahnemann, o apóstolo da
medicina espiritual, de Hermínio C. Miranda, ed. Celd.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Provações de Surpresa

Inquietações na Terra existem muitas.

Temos as que se demoram junto de nós, ao modo de vizinhos de muito tempo, nos desgostos de parentes e amigos, cujas dores nos pertencem de perto.

Encontramos as que nos povoam o corpo, na categoria de enfermidades crônicas, quais inquilinos indesejáveis.


Assimilamos aflições de tipos diversos, como sejam as declaradas e as imanifestas, as injustificáveis e as imaginárias, cujo tamanho e propagação dependem sempre de nós.

Há, porém, certa modalidade com que raramente contamos. São aquelas que nascem do imprevisto.

Deflagraram, por vezes, quando nos acreditávamos em segurança absoluta.

Caem à feição de raio fulminativo retalhando emoções ou desajustando pensamentos.

São as notícias infaustas:
- os golpes morais que nos são desferidos, não raro, involuntariamente, pelos que mais amamos;
- os desastres de conseqüências indefiníveis;
- os males súbitos que nos impelem para as raias das grandes renovações.

Não podemos esquecer estas visitas que nos atingem o coração sem qualquer expectativa de nossa parte.

Compreendamos que, em freqüentes episódios da existência, estamos na condição de aluno que estuda semanas e meses e até mesmo anos inteiros, a fim de revelar a precisa habilitação num exame de ligeiros instantes.

Entendamos que, numa hora de crise, não são o choro e nem a emotividade as posições adequadas, e sim a calma e o raciocínio lógico, para que possamos deter a incursão da sombra.

Para isso, entesouremos serenidade. Serenidade que nos sustente e nos ajude a sustentar os outros.

O imperativo de oração e vigilância não se reporta somente às impulsões ao vício e a criminalidade, mas também aos arrastamentos, ao desequilíbrio e à loucura a que estamos sujeitos quando não nos preparamos para suportar as provações de surpresa, sejam em moldes de angústia ante os desafios do mal ou em forma de sofrimento para a garantia do bem.


pelo Espírito André Luiz
Do livro: Estude e Viva, Médiuns: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Por que somos tão críticas?

Gisela Campos
 Nesta terca-feira esbarrei por acaso em uma realidade paralela. Bem que um amigo uma vez tinha me avisado: “existem três mundos: o mundo dos homens, o mundo das mulheres e o mundo dos dois juntos!”.

Pois na última terca-feira derrapei para o mundo dos homens. Logo cedo, enquanto esperava o inicio de uma reunião, fui fazer hora tomando um café com um cliente amigo com quem já trabalho há algum tempo. Tempo este que nos permitiria confidências nas quais mergulhou meu cliente: “não sei mais o que fazer: tudo que eu faço parece errado pra minha mulher.” E continuou: “basta eu entrar pela porta que começo a ouvir criticas: não ajudo a dar banho nas crianças, não propus jantar fora sábado a noite, não levei ela pra Itália como meu cunhado fez com a irmã dela, não lembrei da reunião de pais, não fiz dieta durante a semana, enfim…, acho que eu faço tudo errado!”

Confesso que olhei penalizada para meu amigo. O ar perdido, a barriguinha de quem realmente não faz dieta durante a semana, o café na mão e o desalento me davam vontade de consolá-lo: “não liga, não, as mulheres reclamam mesmo…” Mas ele mal me ouvia e falava quase sozinho: “preciso me esforçar mais!”. Juro que me deu pena. Mas nos chamaram para a reunião e o assunto morreu ali. Na volta pro escritório, entro num taxi. O celular do motorista começa a tocar. Ele não atende. Toca de novo. Ele não atende. Toca de novo.
Eu não me controlo: “Não seria melhor atender?”.

Ele: “Nada! Isso e minha mulher procurando briga! Ela passa o dia me ligando pra ver o que que eu tou fazendo de errado!”.

Repliquei brincando que “algum motivo ela deve ter pra ficar na tua cola desse jeito!”
Foi aí que ele desmontou: “Olha, vou lhe dizer uma coisa: eu passo 12 horas do meu dia nesse taxi pra voltar pra casa e ouvir essa mulher me encher a cabeça: tudo que eu faço ta errado pra ela!”
Fiquei muda no banco de trás. E ele continuou: “tudo ela bota defeito, nunca nada ta bom”. Foi quase automático lembrar da conversa com meu cliente, mais cedo.

Cheguei ao escritório desejando paciência para o motorista. Quando já tinha quase esquecido o assunto, fui almoçar com uma amiga que, ao se sentar na mesa, começa: “meu namorado me disse que sou muito critica! Eu? Critica? Você me acha muito critica?”

A terca-feira passou pelo Brasil, cumprindo seu destino: à noite voltaram para suas casas meu cliente, o motorista de taxi, minha amiga e o namorado dela. Não imagino como tenham amanhecido a quarta-feira, mas neste domingão fica a pergunta: por que somos tão criticas? O que queremos dos homens? Afinal, o que procuramos: um companheiro ou um “funcionário”? Ainda sonhamos com o príncipe encantado no lugar do homem de carne e osso, cheio de defeitos?

Dá-me a impressão de que o sonho do príncipe encantado perfeitinho, sem erros, que joga o lixo fora, dá banho nas crianças e ainda nos leva para a Itália continua dentro de nos, em pleno novo milênio, mais forte do que pensamos. Será isto?
Aguardo comentários e desejo a todos um domingo mais leve, mais tolerante e, se tudo correr bem, menos crítico.
Leia aqui outros textos da autora

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sua Conduta Comportamental

      Nestes dias de hoje, você ao fazer uma análise do comportamento humano nas áreas sociais, religiosas e até familiar, sem muita dificuldade irá perceber a lacuna que existe entre o fazer e o exigir que outros façam por você. O proceder de algumas personalidades no “Movimento Espírita” ganha um misto de “autoridade” mais imposta pelo “tempo de casa” do que pela ASSIMILAÇÃO correta do Espiritismo em suas bases consoladoras. Você já deve ter percebido que no Evangelho de João encontramos  o seguinte:
      “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” (João, XIV: 15 a 17 e 26)  
      Não sei se você notou, mas tenho percebido uma grande confusão no meio espírita com relação ao JULGAMENTO da vida alheia, e isso muitas vezes parte de quem menos se espera, ou seja, de pessoas que apresentam uma vasta gama de conhecimentos, tecerem comentários negativos ou até fazendo campanhas contra “fulano” ou “beltrano”, esquecendo completamente da Indulgência, Benevolência e Perdão. Basta dar uma olhadinha em seu livro dos Espíritos na questão 886, que você irá se deparar com esta proposta em relação à caridade compreendida por Jesus.
      Algumas pessoas têm confundido Consolador com Condenador, fazendo julgamento da vida alheia como se fossem juízes da Divindade. Uma hora é um trabalhador que se separou e ganha a crucificação de ser malhado ou até impedido de fazer algo, mas ninguém quer saber primeiro o motivo da separação... Outra hora, é alguém que está obsediado, simplesmente por não compactuar com as supostas ideias pessoais do Presidente da casa, logo é afastado dos trabalhos...
      Não recordo em nenhum momento de Jesus condenar alguém, sempre apontava “O CAMINHO” e nunca deixava o equivocado para baixo, em várias passagens Ele fechava o Atendimento dessa forma: “Vá e não tornes a pecar”.
      Esse “vá”, não lhe parece ser mais uma oportunidade do que um julgamento? Acredito que sim. Jesus estaria dizendo a mim e a você “Ei! vá lá, faça as pazes consigo mesmo, força viu?”, e ainda apresenta a vacina para não ser pego novamente em ato imprudente quando diz: “Não tornes a pecar”. Aqui você percebe que Jesus estava mostrando a estrada correta para sua evolução, para evitar os dissabores ou as intempéries e consequências de seus resultados ruins.
      Lembre-se que aquilo que faz questão de expor dos outros, pode ser seu grande segredo. Sem fazer nenhuma crítica, mas apenas observações, procure observar sua conduta pessoal se está de acordo com a consolação ou se você está conjugando o verbo errado, condenado àquele que cai em vacilação. Se somos seguidores de Jesus, precisamos exercer mais compreensão e tolerância para com os equívocos alheios, assim como os Benfeitores têm para conosco... O Espiritismo não é o Cristianismo redivivo?
      Diz um adágio popular que a “ocasião faz o ladrão”, mas prefiro acreditar que a ocasião faz o bom cidadão!
      Ao ler esse texto, você se sentiu condenado ou consolado?
*Célio Faria
*Célio Faria da Silva é Psicoterapeuta Holístico, Escritor, Coach, Palestrante Motivacional e pesquisador do comportamento humano.
Orador, escritor e trabalhador espírita da Sociedade Guarapari de Estudos Espíritas
Para Solicitar palestras e outros trabalhos realizados pelo autor, escreva para assessoria.terapeutacelio@gmail.com  ou ligue para (27)3361-3442 ou 3261-0973
Blog: www.terapeutacelio.blogspot.com

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Silêncio Interior


Há muito ruído, muita perturbação no mundo.
Na confusão estabelecida, as criaturas se agitam, se agridem, se desgastam.
Degeneram os ideais superiores, por falta de suportes morais; desencantam-se os lidadores entusiastas, por lhes faltarem cooperação; desistem ativistas das boas obras, por fenecerem as forças desgovernadas pelos choques enfrentados.
Como efeito, o desequilíbrio arma os corações de suspeita e medo, produzindo uma legião de infelizes.
A onda cresce e a bulha aumenta.
As harmonias cedem lugar aos sons de altos decibéis e as mentes em descompasso adotam ritmos alucinados.
Muita falta faz o silêncio no mundo.
Silêncio em derredor; silêncio interior.
Silêncio que propicie calma; silêncio que faculte reflexão.
O silêncio é fundamental para o equilíbrio fisiopsíquico do homem.
Atua como terapia refazente; é estimulo à renovação.
Fala-se muito, demasiadamente, sem necessidade. E os temas são frívolos, queixosos, lamentáveis.
Mediante o falatório desenfreado, eliminam-se toxinas que são reabsorvidas e produzem envenenamento geral.
Os comentários pessimistas, dissolventes, aleivosos, apenas deslustram, desarticulam, enfermam.
Necessário fazer silêncio para pensar, para agir.
Sem reflexão anterior, a ação torna-se precipitada, resultado de impulso incontrolado, normalmente malsucedida.
O silêncio contribui para a harmonia geral.
É também uma forma de respeito ao direito do outro.
Silêncio não significa falta de conversação, na acepção que desejamos dar. É ausência de gritaria, não de diálogoo fraterno e iluminativo.
Nasce na paz interna e externa-se como cooperação em favor das demais pessoas.
Para ser eficiente no exterior, é preciso que seja habitual no mundo íntimo do homem.
Acostuma-te a fazer silêncio mental, harmonizando-te interiormente, cultivando idéias saudáveis que resultem em construções felizes.
Concentra-te em pensamentos bons e edificantes, de modo a fixares as idéias melhores. Habituado a tal conduta, evoluirás da concentração à meditação e desta à paz real.
Quietação nem sempre é silêncio.
Há a quietude pantanosa, que guarda miasmas e morte para os incautos que se iludem com a sua aparência.
Mantém a serenidade como resultado do hábito de silenciar a futilidade e as reações negativas, e como reflexo da conquista do teu autoconhecimento.
Jesus, em silêncios homéricos, ensinou, falando o suficiente para a felicidade do homem, demonstrando, sem palavras, a própria grandeza, enquanto outros, atribulados, por muito se permitirem os excessos da palavra, vieram a perder-se.


Joanna de Ângelis  &  Divaldo Franco
Livro: Momentos de Esperança

terça-feira, 3 de julho de 2012

Dar e Deixar


Quando Cirilo Fragoso  bateu às portas da  Esfera Superior e foi atendido por um Anjo que velava, solícito, com surpresa verificou que o seu nome não constava  entre os esperados do dia.
–Fiz muita  Caridade –  alegou, irritadiço –,  Doei quanto pude.
Protegi os  Pobres e os Doentes,  Amparei as Viúvas  e os Órfãos.
Quanto fiz lhes pertence.
Oh! Deus, onde  a  esperança dos que se entregaram às Promessas do Cristo?
Fragoso traduzia o próprio pesar com a boca, no entanto, a Consciência, como que     instalada  agora em seus ouvidos, instava com ele a recordar.
Inegavelmente, amontoara vultosos bens.
Atingira grande êxito nos negócios.
Não conseguira visitar pessoalmente  os necessitados, porque o tempo não  lhe chegava cada dia, na laboriosa tarefa de preservação da própria fortuna, jamais obtivera folgas para ouvir  um necessitado, nunca  pudera dispensar um minuto  às  mulheres  infelizes  que lhe recorriam à casa, entretanto, prevendo a morte  que se avizinhava, inflexível,  organizara generoso testamento.
E  assim, agindo à pressa, não e esquecera  das instituições piedosas das quais possuía vago conhecimento,  inclusive  as  que ele pretendia  criar.
Por isso, em quatro  dias  doou as todas com expressivos recursos, encomendando-se-lhes  às  preces.
Não se desfizera,  pois, de tudo, para exercer  o auxilio ao próximo?
Não  teria  sido, porém, mais aconselhável praticar a beneficência,  antes da    atribulada viagem para o túmulo?
Notando que o Coração e a  Consciência  duelavam dentro dele, rogou  à entidade angélica  tornasse em consideração  a  legitimidade das suas demonstrações de virtude, reafirmando que a caridade por ele  efetuada deveria ser passaporte justo ao acesso ao paraíso.
O Benfeitor Espiritual  declarou respeitar-lhe  o argumento, informando, porém, que só mediante provas tangíveis  advogar-lhe-ia  a  causa, junto aos  poderes celestes.
Trouxesse Fragoso a documentação  positiva daquilo que verbalmente apontava e defender-lhe-ia  a  entrada no paço da eterna luz.
Cirilo deu-se pressa em voltar à terra e, aflito, extraiu as notas mais importantes, com referência aos legados  que fizera  às  associações pias,presentes e futuras, nas derradeiras horas do corpo, e retornou  à presença do     amigo espiritual, diante de quem  leu em voz  firme  e confiante:
Para os Velhinhos de diversos  refúgios, deixei quatrocentos  mil cruzeiros.
Para os  Doentes de várias agremiações, deixei oitocentos mil cruzeiros.
Para a instalação de um Hospital  de câncer, deixei seiscentos  mil cruzeiros.
Para a fundação do instituto São Damião, em favor dos leprosos, deixei trezentos  mil cruzeiros.
Para  a assistência à Infância desvalida,  deixei quinhentos mil cruzeiros.
Para meus empregados, deixei quatro casas e  seis lotes de terras, no valor e um milhão e duzentos mil cruzeiros.
Terminada a leitura, reparou que o anjo não se mostrava satisfeito.
Em razão disso, perguntou, ansioso:
Não terei cumprido,  assim, os preceitos de Jesus?
O interpelado, porém, aclarou, triste:
Fragoso,  é  preciso pensar.
Segundo o Evangelho, Bem-Aventurado  é aquele que dá com alegria.
Mas, realmente, você não deu.
Suas anotações não deixam margem a qualquer dúvida.
Você simplesmente deixou.
Deixou, porque não podia trazer.
E porque Cirilo entrasse em aflitiva expectação,  Anjo rematou:
Infelizmente,  seu  lugar, por enquanto, ainda não é aqui.
De conformidade com  os ensinamentos do Mestre Divino, onde situamos o  tesouro da nossa vida aí guardaremos a própria alma.
Seu testamento não exprime Libertação.
Quem  dá, Serve e Passa.
Quem  Deixa, Larga provisoriamente.
Você  ainda não se exonerou das responsabilidades para com o dinheiro.
Volte  a mundo e ampare aqueles a quem você confiou os bens que lhe foram emprestados pela Providência Divina e, ajudando-os a usá-los na Caridade  Verdadeira, você conhecerá, com experiência própria, o desprendimento da  posse.
A  morte obrigou-o a deixar.
Agora, meu amigo, cabe-lhe  exercitar a ciência de Dar com Alma  e Coração.
Foi assim que Cirilo Fragoso, embora acabrunhado, regressou à esfera dos homens, em espírito, para Aprender a Beneficência com  Alicerces na Renúncia.

http://blog.forumespirita.net

domingo, 1 de julho de 2012

MISS IMPERFEITA

 'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!
     E, entre uma coisa e outra, leio livros.
     Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
     Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
     Primeiro: a dizer NÃO.
     Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
     Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
     Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..
     Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
       Você é, humildemente, uma mulher.
     E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
     Tempo para fazer nada.
     Tempo para fazer tudo.
     Tempo para dançar sozinha na sala.
     Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
     Tempo para sumir dois dias com seu amor.
     Três dias..
     Cinco dias!
     Tempo para uma massagem.
     Tempo para ver a novela.
     Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
     Tempo para fazer um trabalho voluntário.
     Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
     Tempo para conhecer outras pessoas.
     Voltar a estudar.
     Para engravidar.
     Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
     Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
     Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
     Existir, a que será que se destina?
     Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
     A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
     Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
     Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
     Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
     Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
     Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
     Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
     E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'

     Martha Medeiros - Jornalista e escritora

O mundo está mudando


Você já se deu conta de como o mundo está mudando? E não é para pior, de forma alguma. Embora as manchetes, todos os dias, nos cientifiquem da violência, da desonestidade de muitos, o mundo está caminhando para melhores dias. Basta se atente para notícias não tão retumbantes mas que se encontram em jornais, revistas, na internet.

Como asseverou Jesus: Buscai e achareis. Quem, portanto, deseja saber o todo que ocorre nesta aldeia global, procura e encontra verdadeiras pérolas.

Por exemplo, a informação de quem ganhou o Prêmio Nobel da Paz, no ano de 2011. Nada menos de três mulheres. E não é o fato de serem mulheres que torna a nota importante. Mas o que elas promovem, realizam em seus países e no mundo.

Ellen Johnson Sirleaf, presidente liberiana, primeira da África, eleita em 2005. Tawakkul Karman, ativista iemenita e Leymah Gbowee, assistente social da Libéria. Leymah, em nome da paz, combate a desumana situação das mulheres no seu país, no Oriente Médio ou onde quer que a opressão as violente.

Mãe de seis filhos, essa mulher corajosa iniciou um movimento de mulheres para exigir a paz na Libéria. Viajou de aldeia em aldeia, organizando as mulheres.

 Contra todas as expectativas, convenceu cristãs e muçulmanas a se unir. Seu discurso era:
Aqui, no movimento, não somos advogadas, ativistas nem esposas. Não somos cristãs nem muçulmanas, não somos dessa ou daquela tribo. Não somos nem nativas nem da elite. Somos apenas mulheres.
Levar as mulheres a lutar pela paz era o que ela desejava fazer na vida.

Quando as mulheres lhe perguntavam: Por que devemos fazer alguma coisa? - ela rebatia: Porque é da sua conta! Porque são vocês que têm sido violentadas pelos combatentes. Foi o seu marido que morreu. É o seu filho que está sendo alistado à força no exército. Luta árdua, difícil.
Foi o grupo de Leymah que apressou a renúncia do presidente Charles Taylor em 2003 e o fim da guerra civil em seu país.
De onde tira a sua coragem? Da fé, diz ela. Tudo o que sou, tudo que aspiro ser, tudo o que fui, foi pela graça de Deus.
E assevera: Sempre há algo que uma pessoa sozinha pode fazer. Deus nos criou a todos com alguma contribuição inigualável a dar. Alguns são chamados para ser o vizinho que vai juntar as crianças para cantar ou escutar. Outros, para ser grandes oradores.

Quero acabar com o mito de que somos vítimas o tempo todo. Somos mulheres fortes que passamos pelo inferno e ainda conseguimos nos manter de pé. Onde quer que estejamos, podemos nos levantar. Nada pode nos impedir de sermos o que quisermos.

Hoje, Leymah viaja pelo mundo como diretora-executiva da rede de mulheres pela paz e pela segurança na África, defendendo mulheres e meninas e tem assento junto a autoridades, que a ouvem.
Bem afirmaram os Espíritos Celestes, em O Livro dos Espíritos que, quando os bons o quiserem, eles predominarão sobre a Terra.
Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base em dados colhidos na entrevista Ela sonhou com a paz, de Dawn Raffel, de Seleções Reader´s Digest, de novembro de 2011 e no item 932 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb.