domingo, 3 de março de 2013

Quando a morte é bonita

 Este relato me fez voltar no tempo. Há 14 anos vivi situação identica quando meu pai mudou de plano. É como se tivesse vivido tudo outra vez.

Vi alguém morrer na minha frente. E percebi que a morte pode ser bonita, apesar de triste. Assisti à agonia dos últimos dias. Fiquei olhando a respiração ofegante, precária, sem nada poder fazer. Presenciei o fim de uma vida, à qual, de algum modo, devo a minha. Fui testemunha do fechamento de um ciclo: e aí está a beleza de que falei no início.
Cheguei à casa dos meus pais numa tarde de segunda. No quarto do meu avô, há tempos muito mais uma acomodação hospitalar do que lugar de descanso noturno, um concentrador havia sido instalado pela manhã: uma espécie de filtro de ar, que entregava oxigênio diretamente em suas narinas. O corpo estava inchado: mau sinal; os rins estavam falhando. Mas o hospital disse que nada havia para ser feito e que ele deveria ficar em casa. Dois dias se passaram, sem mudança significativa no quadro. E assim poderia permanecer dias, semanas, até um mês…
Mas houve apenas mais um dia. Pela manhã, a respiração ficou ainda mais ofegante, acompanhada do barulho de uma secreção constante, que se fazia ouvir por toda a casa. Em vários momentos daquela quarta-feira, achamos que ele estava indo embora. Os olhos ficavam abertos, mas pareciam longe: gostaria de saber o que viam. Pegamos a sua mão, rezamos, lhe agradecemos por tudo. Disse-lhe que cuidava da minha mãe por ele e que todos o amavam muito. Mas ele ainda ficou conosco por mais umas horas. “Está muito agônico”, contou o enfermeiro que o visitou durante a noite. E a agonia, dele e nossa, só aumentou.
Chega a madrugada. É impossível dormir. Tentei ficar ao lado, segurando a sua mão. Acompanhei a respiração cada vez mais difícil, a secreção cada vez mais presente. A vontade era tirar meu pulmão e o entregar-lhe, para que seu sofrimento passasse. O oxigênio que recebia não fazia a menor diferença. Não havia mais nenhum traço de consciência em seu olhar. Estava muito nervosa e comecei a andar pela casa. Deito no sofá da sala e faço o que me resta: rezo, com toda a minha devoção, e peço para que Deus acabe com seu sofrimento. Eis o momento em que nosso egoísmo — o querer ter para sempre a presença — cede lugar ao amor em sua forma mais bonita, que tão poucas vezes aparece em nossa vida: preferi perdê-lo a tê-lo em agonia.
Minha mãe então acorda de seu sono breve e me manda descansar um pouco, porque a noite pode ser longa. Ela fecha a porta do quarto: o barulho da respiração diminui, porém continua gravado na minha mente. E o meu pulmão não pode substituir o seu, velho, cansado, doente. Fecho os olhos, mas poucos minutos depois eles se abrem assustados. “Corra, Juliana, o vô está indo embora.” Levanto em sobressalto e me coloco ao seu lado. Não sei onde pus minhas mãos; acho que ficaram apoiadas no colchão, ao lado do seu braço. Não sabia o que fazer. Lembro-me apenas de olhar seu rosto, acompanhando a respiração: a boca aberta, os olhos perdidos, semicerrados, todas as rugas do rosto. “Ele foi embora. Vá com Deus, meu pai”, disse minha mãe. E saiu por segundos do quarto, buscando o telefone para falar com os irmãos. Mas houve ainda mais um respiro. E esse só eu vi. Dei-lhe um beijo.
O último suspiro. Concretizado na minha frente. Senti uma palpitação terrível, um nervosismo desmedido. As pernas falharam. Corri para minha cama e deixei o corpo cair. Não sei o que se passava em minha mente. Isso durou um minuto. Recobrei a razão em seguida: preciso ajudar minha mãe. E voltei, achando serenidade em algum lugar forte dentro de mim que eu não sabia que existia. Liguei para quem tinha de ligar. Abracei e beijei meu avô por diversas vezes. Participei de um processo do qual achei que não seria madura suficiente para tomar parte: carro de funerária, corpo sendo levado, entrega da roupa, escolha do caixão.
Meu avô foi embora da vida com duas gerações ao seu lado: minha mãe e eu. Uma amiga me disse que poucos têm o privilégio de morrer perto dos que amam. Meu avô teve. Não faltou nada para lhe dizer, não faltou nada para fazer. A não ser dar a ele meu pulmão jovem. Chegará um dia, se o ciclo da vida se cumprir, em que meu pulmão velho estará cansado. Rezo para que haja alguém ao meu lado, velho ou novo, querendo me dar o seu, quando esse momento chegar.

Juliana Doretto

Mulher 7 X 7 - Época

Paula Fernandes é hostilizada por se declarar espírita!

         A cantora Paula Fernandes declarou recentemente para a imprensa que é adepta da Doutrina Espírita. Por conta de sua ousadia foi hostilizada nas redes sociais. Custo a crer que algum líder religioso  incentive os fieis ao preconceito. Prefiro acreditar que se trata de ações isoladas por parte de alguns exagerados.
          No entanto, mesmo que seja ação isolada de um pequeno grupo ainda assim é lamentável que em pleno século XXI alguém seja discriminado por optar por esta ou aquela religião.
          Aliás, qualquer tipo de discriminação é lamentável.
          A Doutrina Espírita, lá atrás no século XIX, tratou de iluminar e mostrar que a religião professada vale pouco. O que conta, segundo os sábios da espiritualidade, é o bem praticado pelo homem em sua passagem pela Terra.
          Os Espíritos superiores não puxaram “ sardinha” para o lado do espiritismo. Ou seja, podemos seguir o que bem entendemos em termos de religião, porém o bem é sempre o norte, a segurança e o que realmente vale.
          Tenho a oportunidade de apresentar um programa pela internet, chama-se Deus e as religiões.  Entrevistamos líderes dos mais diversos segmentos religiosos.  Vamos ao pai de santo e também  ao pastor evangélico. Já estivemos com Ricardo Barreira, pai de santo, padre Beto, pastora     Paula Chaparro e outras pessoas mais.
          Na entrevista que realizamos com a pastora Paula Chaparro tive uma grande surpresa: Ela, a pastora, foi categórica: Não acredito em religião! A religião não muda ninguém! Creio em Deus!
Maravilha, pastora! É por ai mesmo, nada de preconceito.
          Somos todos Espíritos em busca da felicidade.  Se a encontramos em igreja, centro espírita ou terreiro isso pouco importa. O fundamental é fazermos o bem. Ademais, temos o sagrado direito de escolher o que é melhor para nossa vida.
          As pessoas podem até discordar, entretanto o fato de divergir não lhes dá o direito de discriminar.
          Porém, não adianta “tapar o sol com a peneira”.  A terra ainda é morada da incompreensão. Infelizmente a opção do outro ainda mexe muito com nosso coração. É a nossa velha vontade de controlar e impor o que pensamos.
          Vale a pena ficarmos atentos em nossa postura a fim de que não analisemos apenas o rótulo esquecendo-nos da essência.
          Quem assim age corre o risco de ser superficial.
          Paula Fernandes, Joaquim da Silva, Lígia Maria e tantos outros têm o direito de fazer sua opção.
          Nós temos o dever de respeitar.
          Pensemos nisto!


Wellington Balbo (Bauru – SP) é membro da Rede Amigo Espírita
Wellington Balbo é professor universitário, escritor e palestrante espírita, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática. É autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, e dirigente espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.
wellington_balbo@hotmail.com

sexta-feira, 1 de março de 2013

Onde está você?



Onde está você com seus pensamentos nesse momento?
    Será que está presente na conversa com os amigos, ou está longe, viajando por lugares distantes?
    Onde está sua felicidade agora?
    Será que está junto de você, ou está longe, em objetos distantes, em pessoas que se foram, em bens materiais que você ainda não tem?
    Onde está seu sorriso agora?
    Está em seu rosto, estampando a sua alegria e confiança na vida?
    Ou será que foi levado por alguém que não está mais aqui?
    Será que seu sorriso ainda depende dos outros?
    Onde está a sua vontade de viver, agora?
    Está aí mesmo dentro de você chamando-o, a cada minuto, para as oportunidades, para viver os dias, ou está nas mãos de outras pessoas, e você está perdido sem saber para onde ir?
    Quem é o dono da sua vida, da sua vontade e da sua motivação?
    O que você precisa para ser feliz agora?
    Um emprego? Será que você não consegue procurar um pouco mais? Quem sabe mudar os rumos? Ou procurar em lugares onde você nunca havia procurado antes?
    Não coloque para si mesmo obstáculos demais!
    Será que a felicidade está apenas na conquista de um emprego?
    Talvez você precise de um amor.
    Então cu ltive novas amizades! Lembre-se de que a amizade é a fonte do amor verdadeiro!
    Procure se aproximar mais das pessoas, quem sabe!
    Antes de querer ser amado, ame!
    Onde está seu Deus agora?
    Será que você já o descobriu dentro de você?
    Será que você já o descobriu nas leis maravilhosas que regem o universo? Na proteção que recebemos, nas chances, nos encontros, nas bênçãos da vida?
    Será que você já o descobriu nas estrelas, nos mares, nos ventos, no perfume das flores?
    Onde está você agora?
    No curso mais seguro da vida, tendo sua embarcação sob controle? Ou está à deriva? Distraído pelas ilusões que encrespam o oceano todos os dias?
    Onde está você agora?
    Buscando um sentido maior para tudo, buscando o crescimento espiritual, ou está preocupado com coisas tão pequenas, incomodado com problemas tão simples?
    É tempo de saber onde realmente estamos.
    É tempo de repensar muitas coisas, de dar um novo sentido a tudo, de redescobrir as coisas mais simples e possíveis, e recriar a vida,colocando-a em seu curso seguro.
    Como nos ensinou o Mestre de Nazaré, onde estiver seu coração, aí estará também o seu tesouro.
    Pense nisso!
    Por vezes nossos olhares se perdem no espaço à procura de algo que se encontra bem perto de nós.
    Out ras vezes permitimos que nosso sorriso siga atrelado ao passo de alguém que se afasta de nós...
    Nossa alegria, tantas vezes, perde a força por causa de algo insignificante.
    Às vezes permitirmos que a nossa vontade de viver se enfraqueça, vencida pelas ilusões e fantasias...
    No entanto, para que não deixemos de viver o momento, intensamente, é preciso prestar atenção nas horas, no agora, no hoje, para que não deixemos escapar as mais excelentes oportunidades de construir nossa felicidade duradoura.
    Pensemos nisso!

(Texto de autoria desconhecida ) 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Meio da vida




Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.
No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.
Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.
No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam - o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa. Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante.
Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.
No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.
Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte - mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.
No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo). Que tocar na dor do outro exige delicadeza.
Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.
No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue.
Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.

(Martha Medeiros)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Escolha é Livre



Buscai e achareis.

         
Na Terra ou no Espaço, na posição de encarnados ou desencarnados, encontraremos, sempre, aquilo que buscarmos durante as experiências evolutivas .
            Agindo por nós mesmos, ou atendendo a sugestões de Espíritos menos esclarecidos, colheremos, hoje ou amanhã, o fruto de nossas próprias obras.
            A nossa vida, de acordo com a simbologia lembrada pelos Espíritos Superiores, pode ser comparada a uma balança comum. E o livre arbítrio representará, sempre, o fiel dessa balança .
            Numa das conchas, acumular-se-ão as nossas criações inferiores, acrescidas das sugestões menos dignas de nossos adversários desencarnados.
            Na outra, as nossas criações mais elevadas unir-se-ão aos pensamentos inspirados pelos benfeitores, anjos de guarda ou Espíritos familiares.
            Colocadas, assim, em pé de igualdade, as duas conchas, o livre arbítrio, isto é, a vontade consciente fará que uma delas predomine sobre a outra, criando-nos, tal escolha, consequências ruinosas ou benéficas, segundo o caminho escolhido.
            E’ livre a escolha .
            Os amigos da Espiritualidade, mesmo os mais abnegados, não equacionam, inteiramente, os nossos problemas.
            Inspiram-nos, em nossas silenciosas indagações, deixando, todavia, que a deliberação final nos pertença, com o que valorizam esse inapreciável tesouro que se chama Livre Arbítrio.
            Sem a liberdade, embora relativa, do Livre Arbítrio, o progresso espiritual não seria consciente, mas se efetivaria, simplesmente, pela força das coisas.
            Na Escola da Vida, os Instrutores Espirituais procedem com os homens à maneira dos professores com as crianças : dão informes sobre as lições, explicam-nas, referem-se a fontes de consulta, indicam livros e autores.
            Mas deixam que os alunos, durante o ano letivo, se preparem no sentido de que, nos exames finais, obtenham, pelo esforço próprio, boa vontade e aplicação, notas que assegurem promoção à série seguinte.
            O aluno irresponsável achará, no fim do ano, o que buscou- a reprovação, a vergonha.
            O aluno aplicado, que se consagrou ao estudo, achará, igualmente, o que buscou – as alegrias da aprovação.
            Tudo de acordo com a lição do Mestre.
            “Buscai e achareis. “
            Em nossa jornada evolutiva – nascendo, vivendo, morrendo, renascendo ainda e progredindo continuamente -, somos alunos cujo livre arbítrio escolhera, na maioria das vezes, o caminho das facilidades .
            Os Instrutores Espirituais têm sido, para todos nós, devotados mestres, que nos observam a incúria e a desídia, porém aguardam, pacientes e compreensivos, que as lições do tempo e da dor nos induzam ao reajustamento.
            Jamais se apoquentam, quando verificam que pendemos para a concha das sugestões utilitaristas, pois sabem que, buscando a Ilusão, encontraremos, mais adiante, as folhas perdidas das desilusões .
            Não ignoram que, batendo à porta dos enganos, elas se alargarão diante de nós, a fim de que, partilhando o banquete das futilidades, sejamos compelidos, mais tarde, a buscar, nos padrões do Evangelho, o roteiro para experiências mais elevadas.
            Num planeta como a Terra, bem inferiorizado, falanges numerosas de entidades desencarnadas inspiram-nos com tal frequência que a sua intensidade – a intensidade de Sua influenciação – não pode ser medida .
            No Evangelho e no Espiritismo, estão os recursos imprescindíveis à nossa segurança.
            A prática do bem, a confiança em Deus, o esclarecimento pelo estudo, o trabalho constante no Bem, tudo isto, com o amparo da prece, preservar-nos-á do assédio de entidades que, em nome de velhos propósitos de vingança, ou por simples perversidade, procuram dificultar a nossa ascensão.
            Batendo à porta dos que sofrem, para levar-lhes a mensagem consoladora do Evangelho e o socorro de nossas mãos, encontraremos, um dia, a resposta do Céu aos nossos anseios de libertação .
            Sendo livres para a escolha, acharemos, sem dúvida, o que buscarmos.

Martins Peralva
extraído do livro Estudando o Evangelho – À Luz do Espiritismo – 2º

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Efeito do Perdão

   Dentre os ângulos do perdão, um existe dos mais importantes, que nos cabe salientar: os resultados dele sobre nós mesmos, quando temos a felicidade de desculpar.
    Muito freqüentemente interpretamos o perdão como sendo simples ato de virtude e generosidade, em auxílio do ofensor, que passaria a contar com a absoluta magnanimidade da vítima; acontece, porém, que a vítima nem sempre conhece até que ponto se beneficiará o agressor da liberalidade que lhe flui do comportamento, porquanto não nos é dado penetrar no íntimo mais profundo uns dos outros e, por outro lado, determina a bondade se relegue ao esquecimento os detritos de todo mal.
    Urge perceber, no entanto, que, quando conseguimos desculpar o erro ou a provocação de alguém contra nós, exoneramos o mal de qualquer compromisso para conosco, ao mesmo tempo que nos desvencilhamos de todos os laços suscetíveis de apresar-nos a ele.
    Pondera semelhante realidade e não te admitas carregando os explosivos do ódio ou os venenos da mágoa que destroem a existência ou corroem as forças orgnicas, arremessando a criatura para a vala da enfermidade ou da morte sem razão de ser.
    Efetivamente, conhecerás muitas vezes a intromissão do mal em teu caminho, mormente se te consagras com diligência e decisão à seara do bem, mas não te permitas a leviandade de acolhê-lo e transportá-lo contigo, à maneira de lmina enterrada por ti mesmo no próprio coração.
    Ante ofensas quaisquer, defende-te, pacifica-te e restaura-te perdoando sempre. Nas trilhas da vida, somos nós próprios quem acolhe em primeiro lugar e mais intensivamente os resultados da intolerncia, quando nos entrincheiramos na dureza da alma.
    Sem dúvida, é impossível saber, quando venhamos a articular o perdão em favor dos outros, se ele foi corretamente aceito ou se produziu as vantagens que desejávamos; entretanto, sempre que olvidemos o mal que se nos faça, podemos reconhecer, de pronto, os benéficos efeitos do perdão conosco, em forma de equilíbrio e de paz agindo em nós.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Livro: Alma e Coração


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Fome de amor



Relendo um artigo de Arnaldo Jabor intitulado "Estamos com fome de amor"  refleti e vi que ele realmente está certo. Ele diz que "o que temos visto por aí são mulheres lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, com suas danças em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, mas, que chegam sozinhas e saem sozinhas das baladas.
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos... E não é só sexo! Se fosse, era resolvido fácil. Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!" diz ele.
Jabor afirma, e eu concordo com ele, que "estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho. Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalísticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção... Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós..."

Eu e meu marido sempre andamos de mãos dadas, desde o início do nosso relacionamento, há 33 anos, e ainda andamos assim nas ruas ou em qualquer lugar. A gente se abraça, se beija e diz eu te amo em qualquer hora ou lugar, basta sentirmos vontade. Trocar um afago, se abraçar, parece coisa do outro mundo. Percebo que as pessoas estranham esse nosso jeito. Olham pra gente como se estivéssemos cometendo um crime.

Jabor diz ainda que vivemos cada vez mais, retardamos o envelhecimento mas, percebemos a cada dia pessoas com caras de bonecos, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhas.
"Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas..."
Emoções como felicidade, amor, fazem-nos parecer ridículos, abobalhados... continua Jabor -  Mas e daí?  Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado... "Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor... Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Mais adiante ele diz que é possível ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e/ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
"O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso".
Para finalizar ele aconselha: "Queira do seu lado a mulher inteligente: Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso? Porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo"? Então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz! Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!"

Pois é. Estou com Arnaldo Jabor e todos os idiotas que dizem eu te amo e não têm medo de ser feliz.
Eu tenho um grande homem ao meu lado, e digo (e escuto) eu te amo sempre que tenho vontade e sou muito feliz!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Valorize quem realmente te ama

 Esta história tocou produndamente meu coração, e decidi compartilha-la. Quem sabe ajude alguém...

Naquela noite,enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer". Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Porquê?" Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou "você não é homem!" Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
 
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e volteia dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio", disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O papai está carregando a mamãe no colo!" Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio" Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito,eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha
envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela.
Por uns segundos,cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior como corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração... Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse "Pai, está na hora de você carregar a mamãe". Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo.
Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas.Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras:"Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".

Eu não consegui dirigir para o trabalho... fui até o meu novo futuro endereço,saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia... Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela "Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar".

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?" Eu tirei sua mão da minha testa e repeti "Desculpe,Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: "Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama, morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Se você não dividir isso com alguém, nada vai te acontecer.

Mas se escolher compartilhar para alguém, talvez salve um casamento. Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir...


Valorize quem realmente te ama ... Pense nisso ... !!