quarta-feira, 20 de maio de 2015

Experimente Hoje

   Agradecer a Deus os benefícios da vida e valorizar os recursos do próprio corpo.
Trabalhar e servir além do próprio dever, quanto lhe seja possível.
Observar, ainda mesmo por instantes, a beleza da paisagem que lhe emoldura a presença.
Nada reclamar.
Comentar unicamente os assuntos edificantes.
Refletir nas qualidades nobres de alguma pessoa com a qual os seus sentimentos ainda não se afinem.
Falar sem azedume e sem agressividade na voz.
Ler algum trecho construtivo.
Praticar, pelo menos, uma boa ação, sem contar isso a pessoa alguma.
Cultivar tolerância para com a liberdade dos outros sem atrapalhar a ninguém.
Atendamos diariamente a semelhante receita de atitude e, em breve tempo, realizaremos a conquista da paz.
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Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito ANDRÉ LUIZ 

sábado, 16 de maio de 2015

Um Minuto Apenas

A natureza do tempo tem sido um dos maiores problemas filosóficos desde a antiguidade: a passagem do tempo, a forma como ele flui, a linearidade do tempo, etc.
Santo Agostinho, filósofo cristão e um dos maiores colaboradores na codificação espírita, elabora um pensamento divertido e interessante sobre o TEMPO.
Para Agostinho, o tempo existe na mente do homem, porque é na mente do homem que se mantém presentes tanto o passado como o presente e o futuro. E de qualquer forma, é na nossa mente que se encontram esses três tempos, que não são vistos em outra parte: o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, isto é, a intuição; o presente do futuro, ou seja, a espera.
*****
E pra nós, o que é o tempo? Será que UM MINUTO (sessenta segundos), faz diferença, é importante?
Vejamos na linda mensagem abaixo o que este pequeno espaço de tempo pode representar em nossa vida.
Fonte: Redação do Momento Espírita, com base no cap. 24 do livro O semeador de estrelas, de Suely Caldas Schubert, ed. Leal. Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. Fep. Em 15.07.2011.

Um Minuto Apenas

terça-feira, 12 de maio de 2015

Afinidade

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.




por Artur da Távola

sábado, 9 de maio de 2015

Quando Deus Criou as Mães

Graciana Sérgia e suas seis filhas.
 Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação. 
Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?
O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.
Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.
Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.
Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.
Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.
Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.
Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra.
O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.
Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.
De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.
Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.
Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.
Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.
Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.
Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.
Uma mulher. Uma mãe.

* * *
Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem.

Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz. (Momento Espírita)

Obrigada mainha por ter me dado a oportunidade de ser sua filha. Cuidado de mim e me conduzido para o caminho do bem, com simplicidade porém, muita sabedoria.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Ação ponderada

Pequena análise do comportamento humano nos permite perceber o quanto somos capazes de muito reagir e de pouco agir.
Basta uma pequena rusga no trânsito, alguém que altere a voz em uma discussão, e a reação acontece.
Ou ainda, que alguém nos trate rispidamente, ou que falte com a polidez para conosco para que desencadeie uma imediata reação em nós.
Reagimos de maneira impulsiva, algumas vezes, até violenta, e, consequentemente, impensada.
Reagimos, de súbito, para logo mais percebermos que poderíamos ter agido diferente. Qual animal ferido ou acuado, reagimos para nos defender, sem analisar, refletir ou pensar. Assim se dá porque vinculados a comportamentos ancestrais, trazemos o ímpeto de reagir, por impulso, por instinto, sem raciocinar.
E, somente depois, a razão nos convida a avaliarmos as consequências do que foi dito, ou a maneira como nos comportamos.
Por outro lado, somos sempre vítimas de nossas reações, enquanto a ação nos permite tomar a atitude que escolhemos, o procedimento que achamos mais adequado.
Se a reação é instintiva, a ação é racional e reflexiva. Se ao reagir não nos damos conta ou não nos apercebemos do estrago que podemos causar, o agir é analisado e pensado.
Dessa forma, se já percebemos que nossa reação gera muito mais dificuldades e problemas do que soluções e tranquilidade, faz-se hora de trocarmos a reação pela ação. Por exemplo, se fazemos silêncio quando alguém nos dirige impropérios, é a ação da paz que foi nossa opção. Fácil seria revidar na mesma moeda, reagir da mesma forma. Desafiador é evitar a armadilha da reação e, lucidamente, optar pela clareza da ação.
Se alguém nos aborda de maneira grosseira, e respondemos com gentileza, paciência e calma, é a ação da nossa compreensão para com o outro. Talvez fosse mais fácil, pela força do hábito, nos comportarmos com reciprocidade, devolvendo a grosseria que recebemos.
Porém, o grande desafio é deixar de reagir, escolhendo o agir, que gerará sempre melhores resultados, posto que é fruto do equilíbrio e da reflexão. E a transformação do nosso comportamento acontecerá paulatinamente e será o resultado da disciplina no pensar, que gera o hábito da reflexão, culminando pelo desarmar de nossas atitudes.
Portanto, já não mais vítima das palavras rudes, do comportamento infeliz ou da atitude impensada. Que a análise e reflexão de nossas atitudes possam fazer com que, aos poucos, a reação ceda lugar a ações, pautadas em um comportamento de paz, lucidez e fraternidade.
*   *   *
Quando reagimos, revidando ofensas, agressões, descuidos alheios, passamos a sintonizar com quem as produziu.
A partir daí, mantemos uma interdependência psíquica, que nos aprisiona em nuvens mentais de sentimentos malsãos, que somente nos prejudicam, física e espiritualmente.
Optemos sempre pela ação ponderada e gozemos de saúde, de tranquilidade, vivendo sem sintonia com aqueles que ainda transitam pelas faixas da inconsequência ou da maldade.
Façamos isso e nos sentiremos leves, felizes, plenificando-nos com as celestes bênçãos.

Redação do Momento Espírita.


Rogando Paz


Senhor Jesus!
Tu disseste: “a minha paz vos dou ...”
Entretanto, Senhor,
Muitos de nós andamos distraídos;
Atribulados, às vezes, por bagatelas;
Aflitos sem razão;
Sequiosos de aquisições desnecessárias;
Irritadiços por dificuldades passageiras;
Dobrados ao peso de cargas formadas por desilusões e discórdias que nós mesmos inventamos;
Ocupados em dissenções infelizes;
Hipnotizados por tristeza e azedume que nos inclinam à separatividade e ao pessimismo...
Entendemos, sim, Jesus, que nos disseste:
- “A minha paz vos dou...”
Diante, porém, de nossas inibições e obstáculos, nós te rogamos, por acréscimo de misericórdia:
- Senhor, concedeste-nos a paz, no entanto, ensina-nos a recebe-la.
*****


Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito EMMANUEL 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Brasil, o aniversariante.

No dia 22 de abril, o Brasil comemora mais um ano. O Espírito Humberto de Campos, no seu livro psicografado por Chico Xavier e que tem como título: "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", nos afirma que Jesus transportou a árvore do Evangelho, da Palestina para o Brasil. Por que Jesus fez isso? Terá sido privilégio nosso? O que fizemos para merecê-lo? Se não foi privilégio, o que aconteceu, para que essa árvore plantada inicialmente na Palestina, não permanecesse lá, e viesse para cá?
Fomos nós os escolhidos, mas, não por privilégio. Por missão. Foi-nos confiada à tarefa de aprender, vivenciar, e espalhar os Seus ensinamentos. Então, repetiu-se no Brasil, o que aconteceu na Palestina, quando se aproximou o momento da vinda de Jesus.
Por que Jesus fez isso? Somos o resultado da união dessas três raças e de cada uma delas temos características. Do branco injustiçado temos a inquietação diante da injustiça; do negro escravizado temos a submissão, a aceitação da dor, do sofrimento; e do índio temos a indomabilidade. Somos o resultado da união dos injustiçados, dos que choram e dos puros de coração.
É fato que o Brasil, foi colonizado pela escória do mundo, também é fato que esta escória teria aqui a imensa oportunidade de se moralizar.
É fato que na atualidade, a política do Brasil, está permeada de escândalos, de corrupção e entendemos que estes que se comprometem estão tendo, mais uma vez, a oportunidade de resgatarem antigos débitos.
Ao escolher o Brasil para transplantar a árvore do Evangelho, Jesus nos deu a missão de transmitir ao mundo a Sua mensagem; mas com a Sua conduta, vivenciando tudo aquilo que ensinava, mostrou também como Ele deseja que essa missão seja cumprida: com o exemplo.
Por isso, mãos à obra, pois o trabalho é grande e é de todos nós Espíritas ou não Espíritas. Mas, sem dúvida, a nossa contribuição tem que ser maior, pois temos consciência disso.


CORAGEM, FÉ E TRABALHO!
Muita paz!


Enir Sattler


Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/brailsil-o-aniversariante/#ixzz3Y8HwMcU8

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Por que reciclar pensamentos?


Cristina Helena Sarraf, do http://www.jornaldocem.com.br/

Boa parte do que pensamos, cremos e deixamos que direcione nossa vida, foi aprendido dos valores de outras pessoas e vem de um tempo em que não se sabia o que hoje conhecemos. Isso significa falta de dados novos que precisam ser considerados, enquanto mantemos idéias velhas que já não funcionam mais.

Palavra significativa de nosso tempo, “reciclar” implica em avaliação do que é útil e funcional que será conservado; do que se pode ser revisto e acertado para ser mantido e do que não tem mais condição de uso, perdeu função e razão de ser, devendo ser descartado.
Objetos nunca usados, enchendo gavetas, estão pedindo novos donos ou lixo, onde poderão virar até outra coisa, pela reciclagem. Eles são semelhantes a nossa mente, repleta de idéias, lembranças, posicionamentos, conhecimentos e crenças, que necessitam de revisão.
Já houve o tempo em que se pensava que idéias fossem coisas fixas. Nessa época, o ser humano caracterizava-se pela rigidez ideológica e de costumes. Acreditava-se que os pensamentos vinham de Deus, por isso eram imutáveis. Os poucos que ousaram romper com esse estado de coisas foram punidos, como aconteceu com Giordano Bruno, Joana D’Arc, Jesus... Mas a semente da liberdade, por estar plantada dentro dos Espíritos, germinava e, mais adiante,outros ousaram erguer a cabeça e dizer coisas diferentes das habituais. Galileu, Colombo, Lutero, por exemplo, propondo mudanças conceituais, pagaram o preço disso, ao mesmo tempo em que deixavam em nosso planeta marcas de um novo tempo.

As transformações que se sucederam já são tantas, que hoje mal podemos acompanhar as novidades tecnológicas, as conquistas científicas, as criações artísticas, a moda, as edições de novos livros, filmes, tudo pleno de tal multiplicidade que até parece infinita.

A dificuldade de acompanhar todos os avanços não ocorre apenas porque é impossível ter acesso a tudo, mas principalmente porque permanecemos pensando, sentindo e vivendo com idéias, conceitos que também precisam ser reciclados.
O que eu penso de mim? Quais meus pontos fortes, fracos e médios?
A experiência de ocupar-se consigo, reciclando pensamentos, ajuda a definir a própria filosofia de vida; os valores significativos para cada um, independentemente de religião, sociedade, família, amigos e modismos.
(AUTOCONHECIMENTO)
Diz a questão 919 de O Livro dos Espíritos; “Qual o meio prático mais eficaz que o tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir atração do mal? Resposta: Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: conhece-te a ti mesmo”.
O sábio a que se refere a resposta é Sócrates, filosofo grego considerado um dos precursores do Espiritismo. (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec) (C.H.S)


CONTRASTES
Lado a lado convivem preconceito racial e globalização; medos e naves espaciais; materialismo nas ciências e a noção de que é Deus quem decide a vida; crença de que o outro vale mais e individualismo; descongelamento das geleiras e desperdício de alimentos...
Ainda não estamos conectados conosco mesmos, de modo que o externo e o interno sejam uma só coisa. Apesar de tanta modernidade, “ainda somos como os nossos pais”, como diria Belchior, na conhecida musica. Não que devamos ser como eles, mas, sim, que reciclar pensamentos promove um ajustamento intimo, diminuindo incoerências, angustias e sofrimento.
Gosto de ser como sou ou venho me escondendo para parecer diferente?
O que tenho feito por mim? Como tenho me cuidado?
Meus atos, sentimentos e reações têm sido examinados, para eu me conhecer e saber lidar comigo?
Qual meu entendimento sobre determinada questão? – independentemente do que pensem outros, seja quem for.
Minha “cabeça” diz frases o tempo todo, mas meu ser sente desse mesmo jeito?
Ou sinto algo e penso outra coisa, por causa das opiniões alheias?
Questionamentos como esses estabelecem o processo da reciclagem, ajudando-nos a distinguir como pensamos e o que deve ser feito em relação a isso, caso seja preciso mudar algo, e queiramos fazê-lo.
Há quem imagine que analisar-se provoca depressão e desanimo. Mas não é preciso que aconteça dessa maneira, ate porque o objetivo não é ver quem está certo ou errado. Reciclar pensamentos é estritamente pessoal; ;levam em conta em primeiro lugar, nossas idéias e formas de ser forma aprendidas com pessoas que não tinham as informações que temos hoje e que a repetição memorizada dos costumes familiares obscurece a percepção sobre a qualidade e funcionalidade dos mesmos.

*CRISTINA HELENA SARRAF é educadora, palestrante e ministra cursos baseados nos Princípios do Espiritismo. Edita o jornal do Grupo Espírita de Iniciativas Doutrinarias, CEM, grupo fundado por ela há 24 anos (www.geocities.com/jornalcem)


O OUTRO É UM ESPELHO

Nem sempre a realidade é como a percebemos. Na antiguidade grega, Esopo – 500 anos A. C – conta a história de um viajante que chegou às portas de Atenas em busca de informações. Pretendia saber como era a população da cidade. Esopo, antes de responder, quis saber como eram os habitantes de sua cidade. Sou de Argos, explicou ele, e lá as pessoas são antipáticas, mesquinhas, invejosas e por isso vim para cá. O sábio disse: infelizmente as pessoas de Atenas também são assim.
MEIA HORA após, outro viajante se apresentou com a mesma pergunta. De onde vens e como são os habitantes de sua aldeia? Sou de Argos, disse o viajante, e lá as pessoas são generosas, serviçais e hospitaleiras. E Esopo disse sorrindo: que bom, pois em Atenas também as pessoas são assim!
O OUTRO é como um espelho e reflete nosso interior. Do mesmo modo como vou ao encontro do outro, ele vem ao meu encontro. Assim como eu o vejo, assim eu sou. Quando eu olho para fora e falo sobre as coisas que me cercam, estou também revelando meu interior e dizendo muitas coisas sobre mim.
A VELHA sabedoria grega já sabia que tudo aquilo que recebemos, recebemos de nosso jeito. O mesmo fato ou a mesma afirmação é percebido à nossa maneira. A inveja, o orgulho, a teimosia que vemos nos outros têm sólidas raízes em nós mesmos. O mesmo vale para a bondade que está dentro de nós e se irradia sobre os demais. O mestre Eckhart constatava: “Quem estiver bem consigo mesmo, estará bem em todos os lugares e com todas as pessoas. Mas quem não estiver bem, não está bem em nenhum lugar e com nenhuma pessoa”.
MUDANDO de Argos para Atenas, a pessoa continua igual. Não será a mudança de lugar que irá alterar nossas deficiências e nossa escala de valores. Mudando de lugar, carregamos conosco nossos defeitos e nossas virtudes. A primeira tentação é mudar as pessoas de Argos, mas isso não vai mudar nada. Nós continuamos os mesmos.
EXISTEM dentro de nosso psiquismo filtros poderosos que, aparentemente, modificam a realidade. E esses filtros funcionam em duas direções: escondendo nossas limitações e exagerando os defeitos dos demais. A sujeira pode estar na janela, nas lentes de nossos óculos ou mesmo em nosso interior. A preocupação de mudar o mundo, que pode ser legítima, precisa começar dentro de nós. Se teu olho for puro, tudo ao teu redor será puro, se teus olhos forem bons, tudo será bom.

+ Itamar Vian
Arcebispo Metropolitano

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