terça-feira, 22 de outubro de 2013

Acidentados da Alma

Compadeces-te dos caídos em moléstia ou desastre, e que apresentam no corpo comovedoras mutilações.
Inclina-te, porém, com igual compaixão para aqueles outros que comparecem, diante de ti, por acidentados da alma, cujas lesões dolorosas não aparecem.
Além da posição de necessitados, pelas chagas ocultas de que são portadores, quase sempre se mostram na feição de companheiros menos atrativos e desejáveis.
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Surgem pessoalmente bem-postos, estadeando exigências ou formulando complicações, no entanto, bastas vezes trazem o coração sob provas difíceis;
espancam-te a sensibilidade com palavras ferinas, contudo, em vários lances da experiência, são feixes de nervos destrambelhados que a doença consome;
revelam-se na condição de amigos, supostos ingratos, que nos deixam em abandono, nas horas de crise, mas, em muitos casos, são enfermos de espírito, que se enviscam, inconscientes, nas tramas da obsessão;
acolhem-te o carinho com manifestações de aspereza, todavia, estarão provavelmente agitados pelo fogo do desespero, lembrando árvores benfeitoras quando a praga as dizima;
são delinquentes e constrangem-te a profundo desgosto, pelo comportamento incorreto;
no entanto, em múltiplas circunstâncias, são almas nobres tombadas em tentação, para as quais já existe bastante angústia na cabeça atormentada que o remorso atenaza e a dor suplicia…
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Não te digo que aproves o mal sob a alegação de resguardar a bondade.
A retificação permanece na ordem e na segurança da vida, tanto quanto vige o remédio na defesa e sustentação da saúde.
Age, porém, diante dos acidentados da alma, com a prudência e a piedade do enfermo que socorre a contusão, sem alargar a ferida.
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Restaurar sem destruir.
Emendar sem proscrever.
Não ignorar que os irmãos transviados se encontram encarcerados em labirintos de sombra, sendo necessário garantir-lhes uma saída adequada.
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Em qualquer processo de reajuste, recordemos Jesus que, a ensinar servindo e corrigir amando, declarou não ter vindo à Terra para curar os sãos.
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Emmanuel
Chico Xavier

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Fidelidade.

A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, fazer uma refeição mais ou menos, ter um transporte mais ou menos.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos.
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum, é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos e acreditar mais ou menos. Senão corremos o risco de nos tornar uma pessoa mais ou menos. 
A tônica da mensagem é interessante porque nos chama atenção para uma realidade muito comum em nossos dias. A realidade da omissão.
No Novo Testamento encontramos esta advertência: Oxalá fosses frio ou quente. Mas porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.
Em outro momento Jesus adverte: Seja o seu falar sim, sim, não, não.
O convite à firmeza, à fidelidade, à definição é claro, pois é dessa forma que evidenciaremos o nosso caráter.
Encontramos na História do Cristianismo um exemplo clássico de omissão, que foi Pilatos.
Ele sabia que Jesus era inocente. Isso fica claro quando apresenta Jesus ao povo e diz: Eu o estou trazendo para fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele nenhum crime.
No entanto, quando percebeu que seu cargo, seu prestígio diante de César e sua posição estavam em risco, entregou Jesus para ser crucificado.
Pilatos não foi fiel nem à sua própria verdade.
Encontramos também um exemplo de firmeza e fidelidade no grande Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso.
Ele defendeu a mensagem do Cristo mesmo sob pedradas, injúrias e a pecha de louco.
Perdeu o cargo no Sinédrio, perdeu os amigos, perdeu a herança e o respeito de seu pai, mas jamais se mostrou morno ou se colocou na cômoda posição de ficar em cima do muro.
A proposta desta mensagem é justamente a de que podemos aceitar o mais ou menos nas coisas, mas de forma alguma em nossa maneira de sentir ou de nos posicionar diante da vida.
Nossas verdades devem ser defendidas com coragem e fidelidade. Nossa posição deve ser bem definida, embora ficar em cima do muro ou lavar as mãos, seja mais confortável.
Em vários momentos do nosso dia estamos sendo convocados a assumir uma posição. Seja numa reunião de trabalho, numa assembleia do condomínio ou numa simples reunião familiar.
Infelizmente, é nesses momentos que muitos preferem se omitir para ficar bem com todos, em vez de expor seu ponto de vista com firmeza e ajudar na solução dos problemas.
Esse ato de covardia é repugnante e é por esse motivo que encontramos a expressão evangélica: Mas porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.
Por essa razão, vale a pena ser fiel em todos os momentos da nossa vida, sem omissão, nem negação da verdade. 
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Ser fiel no pouco nos fortalece para ser fiel nas grandes decisões.
Assim, a fidelidade é uma virtude que deve ser cultivada em todos os momentos e em todas as situações, com firmeza e determinação.
Pense nisso!

Redação do Momento Espírita, com base em mensagem 
de autoria ignorada e no livro bíblico
 Apocalipse, cap. 3: 14 e 
15.
Disponível no cd Momento Espírita, Coletânea v. 8/9 e 
no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.
Em 09.03.2012.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Meus queridos médicos, aquele abraço!

Por Cristóvam Aguiar
Todo brasileiro é um médico. Todo mundo conhece uma receita que é “batata” para curar enxaqueca, pé de atleta, dor na coluna, dor de cabeça, dor de corno ou dor de cotovelo. Quantas vezes me apanhei receitando mezinhas para amigos médicos, que pacientemente escutaram este paciente metido a médico? Perdi a conta. Mas eles sabem que, quando o “bicho pega”, vamos bater às portas dos seus consultórios, e com a cara mais limpa desse mundo.
         Mas ser médico é isso aí. Paciência, compreensão, amor ao próximo, renuncia, e saco, muito saco, para aturar as intolerâncias, incompreensões e nervosismos dos seus nada pacientes clientes. É verdade que muitos não honram o juramento feito na formatura, mas hoje não é dia de criticar, e sim de elogiar e homenagear a estes anjos vestidos de branco, que nos aparecem nas horas mais difíceis, com um estetoscópio ao pescoço e uma maleta à mão, trazendo alívio para nossas dores.
           Às vezes eles são chatos. Parece até que sentem um certo prazer em nos proibir de fazer e comer as coisas que mais gostamos. E só de birra, a gente faz o que não deve e come o que não pode. Nesse caso, quando a gente não morre, lá vem o médico, pacientemente, tentar consertar as merdas que fizemos a nós mesmos. Rapaz! Vou confessar. Se eu fosse um médico, eu consertava o teimoso, mas tirava o maior sarro da cara dele: “Tu viu sacana. Eu não avisei? Agora fica aí de molho, com essa cara de santa puta, chamando por Deus. Quando ficar bom, se ficar, vai fazer tudo outra vez”. Ah! Eu ia tripudiar.
           Existem dois profissionais para os quais não se deve mentir. Advogados e médicos. Até porque, ele vai se nortear pelas informações que lhes dermos, para poder nos defender e tratar corretamente. Se a gente mente e a zorra dá errado, a gente acaba preso ou morto, o que reduz muito as nossas chances de fazer uma reclamação.
           Eu fico imaginando: O cara passa cinco anos alisando banco de universidade, faz residência, pós graduação, especialização, não para nunca de estudar, para poder curar doenças. Aí chego eu, um zé mané, que não sabe nem usar um termômetro, e questiono o diagnóstico do médico. É muita cara de pau. Eu sei. Mas vou agir exatamente assim na primeira oportunidade. Fazer o que? Parece que faz parte da natureza humana.
           Os médicos sabem disso. Por isso nos aturam. Preocupam-se com o nosso bem estar, a nossa saúde. E pra encerrar esse papo, eu vou contar uma história que ilustra bem essa preocupação, essa abnegação que os verdadeiros médicos têm pelos seus pacientes:
           Um médico amigo meu, me contou que estava de plantão no HDPA, e no final da tarde, quando já estava esperando o colega que o substituiria para o plantão da noite, começaram a chegar no pronto socorro, as vítimas de um acidente. Ele começou a atender. E tome sutura, algodão, esparadrapo, gesso, tipoia, e nada do colega chegar. Entrou pela noite e ele lá, atendendo aos feridos.
           Entre as vítimas, havia um cidadão que apresentava um furo na região glútea, um pouco acima do orifício anal. Ele limpou o ferimento, colocou medicamento e costurou. Já tarde da noite, cansado, exausto mesmo, foi para casa. Já deitado em sua cama, ele lembrou do paciente, e de tão cansado, ficou na incerteza sobre se havia costurado o buraco certo. “Será que eu costurei o fi-ó-fó do cara”? – Pensava ele.
           Não conseguiu dormir com aquela preocupação. Levantou-se, pegou o carro e voltou para o hospital. Só depois de conferir se tinha costurado o buraco certo, voltou para casa e pode dormir em paz, com a sensação gostosa do dever cumprido.
           Assim são os médicos.
           Aproveitem bem o seu Dia!

Meu compadre Wilton

Dr. Wilton e Arlete com a família no batizado de Lia
Cristóvam Aguiar
             Me aproximei de Dr. Wilton Lima quando ele passou a frequentar o Bar do Vital, na Kalilândia. Na época, ele era o único além de mim que ia ao bar acompanhado da esposa. Surgiu logo uma afinidade e uma amizade, principalmente entre Maura e Arlete. As duas ficavam conversando enquanto a gente jogava dominó e conversa fora com os marmanjos.
            Certa época eu me encontrava fora do jornalismo e, para sustentar a família, resolvi fazer algo que eu conhecia bem. Fui vender leite de porta em porta. Wilton era um dos meus clientes. Um dia, saí de casa preocupado, pois minha filha Lia estava com febre e vômitos. De um orelhão liguei para casa para saber como ela estava e o quadro não havia mudado e preocupava.
            Pouco depois cheguei à casa de Wilton para entregar o leite e falei com Arlete sobre a situação, pedindo a ela que conversasse com Wilton para que ele me orientasse, pois eu só teria tempo à tarde, para levar lia para receber atendimento médico. Ele fez mais. Foi pessoalmente ao nosso apartamento e medicou minha filha. Quando cheguei em casa ela já estava bem melhor.
            Isso fortaleceu nossa amizade e eu passei a ver nele alguém como eu, sempre disposto a auxiliar os amigos e até a estranhos. Lia cresceu aprendendo a ser grata e gostar do casal Wilton/Arlete, e foi ela quem os escolheu para ser seus padrinhos, e assim nos tornamos compadres.
            Longe de mim contestar os desígnios de Deus, mas não aceitei de bom grado as provações pelas quais o casal passou. Primeiro perderam o filho, num acidente. Mas o golpe maior viria mais tarde, quando ele foi traído por colegas que ele tinha como amigos, o que culminou com a sua demissão do Clériston Andrade, pagando por uma culpa que ele não tinha. Ele sequer estava no hospital quando ocorreu o fato que culminou com a sua demissão. E nenhum dos colegas envolvidos o defendeu, e mesmo os que juntamente foram acusados (e estavam no hospital no dia fatídico), foram afastados temporariamente e depois retornaram às suas funções. Pagou o justo pelos pecadores.
            Daquele dia em diante Wilton nunca mais foi o mesmo homem. Entristeceu e se recolheu, deixando de frequentar os lugares que costumava ir, limitando-se a se deslocar de casa para o trabalho e vice versa. Adoeceu, convalesceu e faleceu entre seus familiares.
            Resta-me a saudade e a certeza, como cristão, de que seu sofrimento não foi em vão e que sua alma cresceu e brilha cada vez mais em alguma morada do Senhor.

Dr. Wilton Lima, uma vida simples e cheia de amor

Wilton José Tavares Lima nasceu no dia 18 de dezembro de 1948, em Nazaré das Farinhas. Filho de Hugo Lima (alfaiate) e Zaira Tavares Lima. Aos 14 anos veio morar em Feira de Santana, onde concluiu os estudos. Sempre teve o desejo de estudar Medicina. Prestou vestibular na Escola de Medicina da Universidade Católica do Salvador, e em 03 de dezembro de 1974 se formou médico. Em 1975 foi para o Rio de Janeiro fazer especialização em Gastrenterologia na Rio Clínica, onde surgiram várias oportunidades de trabalho, mas, sempre quis se firmar em Feira de Santana, para onde retornou em 1976, e montou consultório no Edifício Zé Domingos.
Neste mesmo ano ingressou nos quadros da Prefeitura Municipal e começou a trabalhar como médico em um Posto de Saúde, no bairro Caseb, hoje Unidade Básica de Saúde Nossa Senhora de Fátima. Também em 1976 começou a trabalhar para o Sindicato dos Empregados do Comércio de Feira de Santana e no Hospital Dom Pedro Alcântara. Já em 1983 iniciou no Hospital Regional Clériston Andrade.
         Casou-se em 1977 com Arlete Andrade Lima com quem teve quatro filhos (Felipe (falecido), Fernanda, Flávia e Kamila). Durante toda sua vida mostrou ser um homem caridoso, que teve a simplicidade como sua marca. Faleceu no dia 29 de maio deste ano de 2013, deixando muitas lições. Bom filho, bom marido, bom pai e bom amigo. Todos que conviveram com ele são unânimes em afirmar. Convidadas a falar sobre o pai, as suas filhas escreveram:

“Nosso Pai
         Agradecemos imensamente a Deus por ter nos presenteado e dado o privilégio de sermos filhas de um homem admirável, de um caráter sem igual, de um amor incondicional, um ser humano como poucos.
         Com o nosso pai aprendemos a respeitar, ser honestas, aprendemos que o amor pode transformar.  Muitos falam do amor de mãe que é diferente, maior para muitos, mas nunca pensamos assim, pois sempre fomos amadas por todos lados. Temos uma mãe/pai e tivemos um pai/mãe, nunca soubemos distinguir a diferença desse amor que dizem existir.
Tivemos um pai que nos colocava no colo mesmo já adultas, e enxugava nossas lagrimas “como só uma mãe faz”, um amigo com quem sempre pudemos contar, um herói que nos fazia sentir seguras, um pai que depositou em sua esposa e filhos todos os seus sonhos, que dedicou todos os seus dias à nos fazer felizes, um homem que abriu mão de muitas coisas, de riquezas até, simplesmente por se contentar em estar em casa com esposa, filhos, netos, genros “debaixo de suas asas” como dizia.
Uma pessoa que encontrou a felicidade em amar e é muito amado, pois a sua morte não o tirou de dentro dos nossos corações. Todos os dias, até o ultimo dia de sua vida, dissemos e ouvimos: Eu te amo!
Durante o processo de tratamento o nosso pai continuou nos surpreendendo, nos ensinando, nos dando lições de vida. A saudade nos faz chorar... mas, sorrir ao conversarmos e falarmos dele, pois o nosso pai foi o nosso orgulho”.

Anjos da guarda


Esta mensagem é dirigida à todos os profissionais médicos que honram o juramento de Hipócrates.
Há médicos do corpo e "médicos da alma". Felizes são aqueles que conseguem reunir as duas profissões. Aqui deixo essa homenagem para estes profissionais representados por Dr. Outran Borges e Dra. Célia Maria Carneiro. A quem costumo chamar de anjos da guarda.
Que dia especial... Deve ser por isto que sinto a luminosidade maior do sol, Com certeza é Deus abençoando tão amorosa e digna profissão. Suas incansáveis horas de dedicação, de carinho, de atenção, a cada um de seus pacientes, que trazem dentro do coração Seu nome escrito com letras douradas. Chega a ser difícil conseguir as palavras certas, Para traduzir o agradecimento que você merece. Querido (a) doutor (a) que brilho interior emana de ti, sua competência, sabedoria o (a) torna um ser iluminado. Estou feliz por ser hoje o seu dia, És como um (a) grande sábio(a), Possuis a paciência necessária, Nunca desacreditando no potencial de cada um. Parabéns pelo seu dia, As suas vitórias e conquistas são contadas Pelos sorriso nos rostos daqueles Que recuperam o prazer da vida, Através da sua habilidade, intuição, Deus te mostra benevolente com todos nós. Que o Senhor o(a) ilumine E continues sempre com esse exemplo de luta e coragem, dignos de serem seguidos. Com certeza é uma simples homenagem que faço a alguém tão especial E merecedor(a) de todo nosso respeito. Que Deus continue abençoando seus caminhos, obrigada por tudo!

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Soneto do Amor Total

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dor e Coragem

Na Terra todos temos inimigos. Todos, sem exceção. Até Jesus os teve. Mas isso não é importante. Importante é não ser inimigo de ninguém, tendo dentro da alma a dúlcida presença do incomparável Rabi, compreendendo que o nosso sentido psicológico é o de amar indefinidamente.
Estamos no processo da reencarnação para sublimar os sentimentos. Por necessidade da própria vida, a dor faz parte da jornada que nos levará ao triunfo.
É inevitável que experimentemos lágrimas e aflições. Mas elas constituem refrigério para os momentos de desafio. Filhos da alma, filhos do coração!
O Mestre Divino necessita de nós na razão direta em que necessitamos dEle. Não permitamos que se nos aloje no sentimento a presença famigerada da vingança ou dos seus áulicos: o ressentimento, o desejo de desforçar-se, as heranças macabras do egoísmo, da presunção, do narcisismo. Todos somos frágeis. Todos atravessamos os picos da glória mas, também, os abismos da dor.
Mantenhamos-nos vinculados a Jesus. Ele disse que o Seu fardo é leve, o Seu jugo é suave. Como nos julga Jesus? Julga-nos através da misericórdia e da compaixão.
…E o Seu fardo é o esforço que devemos empreender para encontrar a plenitude.
Ide de retorno a vossos lares e levai no recôndito dos vossos corações a palavra libertadora do amor. Nunca revidar mal por mal. A qualquer ofensa, o perdão. A qualquer desafio, a dedicação fraternal. O Mestre espera que contribuamos em favor do mundo melhor, com um sorriso gentil, uma palavra amiga, um aperto de mão.
Há tanta dor no mundo, tanta balbúrdia para esconder a dor, tanta violência gerando a dor, que é resultado das dores íntimas.
Eis que Eu vos mando como ovelhas mansas ao meio de lobos rapaces, disse Jesus. Mas virá um dia, completamos nós outros, que a ovelha e o lobo beberão a mesma água do córrego, juntos, sem agressividade.
Nos dias em que o amor enflorescer no coração da Humanidade, então, não haverá abismo, nem sofrimento, nem ignorância, porque a paz que vem do conhecimento da Verdade tomará conta de nossas vidas e a plenitude nos estabelecerá o Reino dos Céus.
Que o Senhor vos abençoe , filhas e filhos do coração, são os votos do servidor humílimo e paternal, em nome dos Espíritos-espíritas que aqui estão participando deste encontro de fraternidade.
Muita paz, meus filhos, são os votos do velho amigo.

Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Bezerra de Menezes

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A salutar influência da doença



Foi Léon Denis quem disse que a dor é lei de equilíbrio e educação. Planeta de provas e expiações, a Terra oferece-nos exemplos inumeráveis de pessoas que enfrentam a dor em seus múltiplos aspectos. A dor da perda de um filho, a dor da separação de quem se transfere para longe, a dor advinda de uma enfermidade pertinaz... A forma é bem variada, mas isso não importa, porque, seja de uma forma ou de outra, a dor é partilhada por quase todo mundo.

Na obra “E a Vida Continua”, psicografada por Chico Xavier, André Luiz fala-nos sobre a dor em uma de suas facetas e nos mostra como a doença tem o condão de mudar o rumo de nossas preocupações. A obra relata as experiências vividas pelos personagens centrais da história, Evelina Serpa e Ernesto Fantini, que padeciam da mesma enfermidade.

Num encontro que tivera com Evelina, dias antes da cirurgia que os levaria à desencarnação, Ernesto declarou-lhe: "Antes da moléstia, reconhecia-me seguro da vida. Comandava os acontecimentos, nem sabia, ao menos, da existência desse ou daquele órgão no meu corpo. Entretanto, um tumor na suprarrenal não é uma pedra no sapato. Tem qualquer coisa de um fantasma anunciando contratempos e obrigando-me a pensar, raciocinar, discernir..."

Com efeito, muitas pessoas só despertam para as realidades espirituais quando enfrentam situações parecidas com a do casal. A enfermidade de tratamento difícil e cura incerta faz com que vejamos as coisas da Terra com outros olhos.

Da preocupação de Ernesto Fantini surgiu-lhe a curiosidade por assuntos relacionados com a vida espiritual e à possibilidade do intercâmbio entre nós e os Espíritos. O tema o absorvia de tal modo que Fantini não conseguia agora furtar-se à sede de estudo.

No tocante ao assunto morte, que discutiram em seguida, ele revelou não temê-la tanto, mas Evelina admitiu que não a desejava, informando que, em face da enfermidade, estava vivendo mais cuidadosa e harmonizada com os deveres religiosos.

A conversação entre eles prosseguiu franca e respeitosa por mais algum tempo, até que se despediram, voltando a encontrar-se semanas depois, não no plano terrestre, mas no mundo espiritual que nos aguarda a todos, visto que não resistiram ante a virulência da doença que os havia acometido.
Casos assim são muito mais comuns do que se pensa e seria muito bom que as pessoas, certas da transitoriedade da vida, não tivessem de esperar a proximidade da morte para cuidar das coisas do espírito, cumprindo desde cedo, a partir mesmo da juventude, a parte que lhes toca na obra da Criação, como nos é dito na questão 132 d´O Livro dos Espíritos, sem transferir para o futuro tarefas que podem muito bem ser realizadas ou iniciadas na presente existência.


           Editoria l- O Consolador